quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Terra do Nunca

No consultório tocavam os telefones e a mesma frase monocórdica de “Clínica Dr. Rui Domingos, boa tarde” era repetida vezes sem conta quando fechei o livro e quis chorar. Não podia porque as pessoas a minha volta se iam preocupar comigo e aí teria que responder “Estou a chorar porque a menina do meu livro cresceu e já não pode voar”…Obviamente não podia responder isso e portanto, para desligar a minha mente da tristeza que era não poder voar e ter de crescer, peguei naqueles revistas cor-de-rosa e comecei a folhear. As imagens depressa me trouxeram para o mundo material ou materialista. Para a realidade de maquilhagens, empregos, carros, roupas e vidas amorosas preenchidas…A Wendy abandonou a Terra do Nunca por isto?
Sai do consultório com um livro de crianças da mão e o coração a pular de vontade de lá entrar, só para lhe avisar que não valia a pena voltar da Terra do Nunca. Não havia muita coisa cá, deste lado, à espera dela.
Quando cheguei a casa refugiei-me na infantilidade que era comer bolachas de chocolate e leite a ver desenhos animados. Peguei nos pré-históricos VHS e tirei o “Peter Pan”. Passei a tarde toda ali, a temer os piratas que eram adultos demais para qualquer sentimento inocente, as luzinhas que esvoaçavam, que eram chamadas de fadas e que eram pequenas demais para ter mais um sentimento de cada vez, índios com o espírito tão selvagem que só os invejava e uma menina que vivia o sonho de ter esse mesmo sonho traduzido naquela realidade roubada e que no meio dessa fantasia ansiava por voltar a casa, para os pais que a esperavam por ela de braços abertos, porque é isso que as crianças esperam dos pais. A menina que resolveu deixar para trás a infância para não magoar os que não desistiam dela e que cresceu sem se dar conta e quando se apercebeu já não conseguia voar.
No fim sai dos sonhos para me virar para os genes e DNAs mas não os abandonei. Guardei-os na gaveta, onde estão os objectivos que virão por acréscimo com os RNAs de transferência. Estão lá, para me relembrar que ainda tenho o poder de voar, ainda não cresci ao ponto de me ter esquecido como voltar a Terra do Nunca…Afinal, é só encontrar a segunda estrela á direita e seguir sempre até de manha.

2 rascunhos alheios:

mae ju* disse...

gosto tanto do que escreves como nao imaginas.
és tu a minha estrela, sabias?

andas mesmo no espirito das fadinhas, FLORIBELA! ;p *

amo-te..

MarieAnne disse...

(porq é q no teu blog diz q trabalhas na industria da agricultura e q vives no afeganistao?:O)

. nao te peço que estejas a cem por cento, noventa e nove, oitenta, etc, peço-te que estejas como estás. com o teu sorriso e os teus abraços e os teus beijinhos!*

quanto ao teu texto, gostei :D*
e nao fiques triste porque a wendy cresceu, porque ainda vais encontrar a tua Terra do Nunca e nao vais crescer:D*
tal como eu!! *

 

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