sexta-feira, 25 de abril de 2008

A Projecção dos Sonhos.

Abri os olhos e estava sol! Aquele sol que faz com que o ar cheire a ferias de verão, sem preocupações e em que se respira (e transpira) paz? Esse mesmo. O raio da chuva misturada com os pares Acido/Base já me estava a deprimir. (Acho que vou reformular a minha teoria: a Física e Química A é a chuva da minha vida!)
Saí da cama para despejar cereais de chocolate (Tabém, sei que esta a chegar o verão mas o chocolate faz.me mais feliz que os corpos de praia) no leite e levar a tigela para a beira do meu pai lá fora que cheirava a café e olhava o verde. Falamos de discussões objectivas e subjectivas. Tentei explicar-lhe que para o objectivismo da Biologia já me chegava a escola e ele calou-se. Acho que ao fim de 17 anos comigo, percebeu que não me vai conseguir fazer gostar dos números inalteráveis e que vou (inevitavelmente) cair para o lado dele.
A minha secretaria está organizada de uma maneira a que se a minha vida se passasse n'Os Mais, seria um indicio do futuro (da tragédia mais propriamente dita). Os números, as reaçoes alcalinas e os calhãos estão a um canto, arrumadinhos, com a aspecto de quem só é pegado relutantemente. O resto da secretaria (que não é assim Tao pequenina) está preenchida atabalhoadamente com os óculos bigalhoes, camera fotográfica, partituras, recortes de jornais, palavras e sensações soltas de quem saboreia o futuro que ainda não chegou mas chegará eventualmente.
O resto das pessoas não sabem. Se calhar nunca se deram ao trabalho de pensar que aquelas duas miúdas, quando falam de futuros promissores em que trabalham com a alma e criatividade em vez de com a mente , quando imaginam imagens perfeitamente estilizadas e lhe chamam de arte, quando deliram com palcos, imagens, luzes, sensações, projectos e tonalidades, estão a falar aserio.

O resto das pessoas não compreende que a "sociedade" e o "mundo" de que nos falam, tem vindo a evoluir porque gente como nós não se juntou a ele. Por isso é que quando falamos com o resto das pessoas temos que falar em linguagem que elas intendam. Temos que falar em planificações de perguntas de resposta aberta, com três tópicos, com encadeamento lógico-temática, e não nos esquecermos de que h tende para 0, porque senão, coitadas de nós, não somos levadas aserio.

domingo, 6 de abril de 2008

Arriscar.

" e se me empurrarem de um abismo direi apenas: - E depois qual é o problema? Eu adoro voar!"


Gostaria de reformular esta opinião...Não me vão empurrar...eu vou saltar de livre vontade. Exactamente com o propósito de voar!


E depois só pode acontecer uma de duas coisas: ou consigo realmente voar ou caio. Mas se cair, pelo menos vou voar um bocadinho .

sexta-feira, 21 de março de 2008

A menina do sol.

As crianças nascem possuindo um pedacinho de sol Cada uma. O problema é que á medida que vão crescendo vem-se confrontadas com um mundo escuro e muitas vezes não tem força suficiente para o agarrar e á medida que vão crescendo perdem-no.

Sempre gostei de óculos de sol. Acho que tem um poder fantástico de mostrar o mundo de outra cor e perspectiva. Um dia encontrei uns óculos com lentes cor.de.arco.iris e muito grandes. Cobriam-me a cara toda mas eu não me importava. Nunca gostei muito de ser Tao transparente. Pus os óculos e vi-a. Sempre esteve lá. Mas estava coberta pelo manto da idade. Ela tinha guardado o sol dentro dela... não o tinha perdido como o resto das meninas mas tinha-se esquecido de onde o tinha posto. A partir desse momento passou a ser a Menina do Sol. Seguia-a a partir do momento em que pus os óculos e vou contar a historia dela.

Tinha os cabelos com um bocadinho de dourado (era o sol a tentar mostrar-se) e o amanhecer do céu e do mar fundidos nos olhos. Quando começou a crescer, começou a prender o dourado porque "estorvava" e os caracóis da infância começaram-se a perder. Os olhos foram perdendo-se atrás dos óculos e das rugas. Eu nunca a tinha visto sem ser nesta figura (e nunca pensei que as rugas fossem marcas de quem viveu) e portanto espantei-me quando os óculos me mostraram uma menina de vestido, joelhos esmurrados, franja a realçar os olhos e os caracóis a caírem-lhe no sorriso.
Um dia a Menina do Sol que não sabia que tinha o sol dentro dela, resolveu partir a procura do sol. Queria pô-lo numa caixinha, nem que fosse um raio só. Claro que os chefes do escritório se riram dela quando disse que queria viajar para procurar o sol. Como eles são patéticos. Esses sim já se devem ter esquecido do que é ter o sol...Bem, não interessa. O que interesse é que ela despediu-se, fez uma mala de recordações (dobrou-as bem dobradinhas porque eram a única prova de que já teve fragmentos de sol. Mas acho que se foram perdendo nas rugas. Se calhar ela não soube tomar bem conta deles.) e apanhou o primeiro comboio. Não sabia bem para onde. O que significava que nunca saberia quando tinha chegado. Não importava muito. Saberia que tinha chegado quando encontrasse o Sol.

Saiu do comboio numa estação com muita gente. Alguém (no meio de tanta gente) saberia onde encontra-lo. Depressa descobriu que no meio de tanta gente não havia ninguém cujo olhar não estivesse pregado ao chão ou ao infinito das responsabilidades. Se não olhavam para cima como haveriam de saber onde estava o sol? Subiu então uma rua muito alta para tentar chegar ao topo. Pensou que tendo aquela gente um pensamento Tao preso á sola dos sapatos, não deveria chegar ao alto de nada. Pensou bem. Lá em cima não havia ninguém a não ser silencio, pausa em comparação com o movimento lá de baixo.
Sentou-se e imediatamente a Menina do Sol começou a chorar. Chorou como se cada lágrima voltasse a entrar na alma e a lavasse. Ao mesmo tempo cada lágrima trazia um pedaço de coração com ela. Chorou por todas as recordações que trazia dobradas na mala... por já não as ter e por lhe doer o peito de as reviver e saber perfeitamente que não as pode nem poderia ter para sempre. Chorou por todas as melodias ouvidas numa determinada altura terem ficado gravadas em mais do que pausas no interior. Chorou por tudo que se sentia a perder a cada instante sem ter força para agarrar. Chorou por saudade, por pensar que nunca teria o sol de volta, por não saber que nunca o tinha perdido, por querer certezas e não haver espaço para elas na malinha do passado.

E então apareceu o Menino da Noite. Tinha os caracóis que ela tinha perdido na infância. Mas não eram caracóis com sol. Eram caracóis com Noite n'eles. Ele era um bocadinho maior que a Menina. Já tinha passado por aquele pico e já tinha chorado a alma fora... Também ele tinha uma mala com recordações. Também ele tinha o sol dentro dele. No entanto o sol dele tinha sido alterado pelas recordações. Tinha chorado demais. Tinha chorado tanto que o sol foi escorrendo pela face conjuntamente com as lágrimas. Depois de destruir um bocadinho de sol, decidiu que queria ficar ainda com algum. Pegou na mala das recordações, queimou umas quantas e guardou as outras debaixo da cama. Decidiu que as recordações deveriam ser boas.

A Menina do Sol viu o sol a transbordar dos olhos do Menino da Noite e nesse momento aprendeu tudo que ele lhe tinha para ensinar. O Menino deu-lhe um bocadinho do seu sol (o que foi muito arriscado, porque já não lhe restava muito) á Menina. Ela encontrou finalmente o que procurava e também ela guardou as recordações debaixo da cama.

Ela não voltou. Não queria arriscar a perder o sol outra vez. Comprometeu-se aí a tentar restituir o Sol perdido do Menino. A verdade é que acabou por se apaixonar pela Noite e não podia ter sido de outra forma. Mais com Menos não dá Menos...Dá Mais (a matemática nem sempre está certa). Aí, nesse fragmento de elucidação congelado, a Menina do Sol apercebeu-se que o seu sol estava dependente de outra pessoa. E teve tanto medo...O seu mal sempre foi pensar demais.
(Hoje a realidade do relato pareceu-me fria demais.)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O Teatro Musical





Quando um actor entra no palco, despe toda a sua vida, fecha.a numa gaveta para entrar num outro universo por ele criado. Universo esse onde pode experimentar todas as suas fantasias, medos e desejos obscuros sem se sentir exposto á plateia mesmo que esteja a ser mais observado do que na sua "vida real". Esta capacidade de brincar com vidas alheias que nem malabarismo é uma arte. A capacidade de conhecer outra personagem, de a tentar perceber como (e até melhor que) a nós mesmos, é fazer da vida arte e expo.la aperfeiçoada para esconder as partes feias ou entao mostra.la como foto cinzenta.
Depois existem aqueles momentos na vida que sao fragmentos de alguma coisa (digo coisa porque nao gosto da definicao de tempo...é fisica e objectiva demais) em que tudo é arte. Momentos intensos. Intensidade requer um poder elevado so possivel de atingir atraves da musica. Daí surge o Teatro Musical. E a minha Paixao pelo Teatro Musical surge exactamente porque tenho uma deliciosa paixao pela intensidade.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

mas é verdade.

É foleiro, é lamechas, é o contraste com os meus posts sobre "o coraçao só bombeia sangue minha gente", mas é verdade. E acho que nao sei explicar muito. Sei que é o querer ouvir musicas com letras estereotipizadas e achar que é a maior originalidade do mundo e deixar.me ser fortemente gozada pelo meu tamanho só para lhe deixar ganhar. E mais que isso nao sei bem. Estou a aprender I guess. E tambem sei que acontece porque gosto de ouvir o teu coraçao bater. ("Podias ouvi.lo sempre menina")







 

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