segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Who says I can't be free?

Haverá um dia, not far from now, que vai mudar a vida das duas. Vai começar com Sol, a entrar pelas janelas da casa grande e vazia com cheiro a paz. Vai ser Verão e nós vamos estar as duas sentadas lá fora a beber chá. Tu vais olhar para mim e vais dizer "devia ser hoje". Eu vou olhar para ti e vou perceber e perguntar-te se tens a certeza. Tu vais sorrir muito e dizer que sim. Vamos levantar mo-nos as duas de rompante a procura de uma mochila qualquer. Vamos meter lá para dentro os vestidos iguais, os bikinis, duas toalhas, duas caixas de cereais de chocolate, pacotes de chá e garrafas de agua. A seguir vamos buscar as guitarras e os óculos de sol. Tu apareces com um bloco de post-it's e escreves "Mãe, fomos ser felizes. Voltamos em breve" e colas na porta do quarto. Atiramos os telemóveis para cima da cama, pegamos nas trouxas e batemos a porta.
Vamos chegar a um sitio, não sei bem como nem onde, que vai ter praia. E vamos pensar nos nossas mães a lerem o post it e a ficarem muito chocadas e vamo-nos rir muito. Vamos tirar as guitarras dos sacos e vamos inventar qualquer coisa com quatro acordes que soe a conhecido e vamos cantarolar desafinadas mas felizes, até que a voz nos doa. Vamos falar dos rapazes e pseudo-homens que vamos ter desistido de compreender e vamo-nos rir muito porque vamos continuar sem perceber nada do amor a não ser que amamos a toda a hora da melhor maneira que sabemos. Vamos falar sobre as pessoas e sobre culturas e já vai ser de noite e nós não vamos querer saber. Vamos despir-nos de preconceitos e vamos apercebermo-nos que crescemos muito desde a ultima vez que falávamos assim, sem parar para respirar. Vão acontecer coisas completamente inesperadas que eu não vou escrever senão perdia a piada e vamos sentir que não podíamos estar mais felizes. Um dia, not far from now.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

What is it about us?



Este país não tem isto. É sempre o último. Não há nada cá para ti. Fizeste a melhor coisa em ires para fora. Lá serás verdadeiramente reconhecida. - Eu oiço e sorrio.
Durante os últimos meses tenho dado voltas a cabeça a tentar perceber o que é que o nosso paísinho esquecido neste mundo tem de tão especial. Porque é que cada vez que oiço gente a falar português numa paragem de metro tenho que me segurar para não os ir abraçar. Porque é que os ingleses que me abraçam e me dizem "i love you" e saem comigo todas as noites não são mesmo amigos. Fazia-me um bocado de confusão para ser sincera.
Até que aterrei em terra lusas com o espírito natalício em expoente máximo (qual cena de "love actually") e nos seguintes dias fui genuinamente feliz a volta de humanos. É isso que nós temos, a nossa cultura tem, humanidade. É isso aquele scent que não se consegue descrever quando se está com portugueses. Está na nossa cultura dar. Se calhar foi por isso que "tantas lágrimas foram derramadas", por nos darmos demais. Se calhar é pela nossa humanidade que tantos poetas e artistas se apaixonaram. Se calhar. Eu só sei que o Natal nunca me soube a tanto. Mesmo sem neve em Trafalgar Square e afins.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Just a thought

E se a Cinderela nao quisesse um Principe? E se a Cinderela nao quisesse ser encontrada?





(From "Into the Woods")

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Piece of advice.

Uma vez uma personagem numa peca disse assim "Quanto mais deres, mais receberas. E a lei do amor, sabias?". Sabias? Mas para dares, tens e dar a sério e não fingir. Não finjas que das, não finjas que amas. Porque quem ama, quer saber. Posso não saber muito, mas sei o suficiente de amor para saber que quem gosta, cuida.

E, sabes, não podes pedir amor quando não sabes o que e amar. Não podes pedir amor se não sabes cuidar. Agora percebi que afinal não há muito em ti e bonito. Gostava de ti porque pensava que eras uma pessoa de amor - Wrong.

Portanto, põe o Dvd no leitor, recosta-te e sonha com essa historia e filme porque ainda te falta muito ate aprenderes como vive-la.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Mum?

- Mum? Is love a lie?
- Nao meu amor. O amor e a maior verdade delas todas. Mas ninguem disse que a verdade era bonita.
- Nao, ninguem disse.
- Ninguem pode dizer.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

On the shore of the wide world

"Alex: I like spending the night in strange places. I wanted to...tonight.
Sarah: There's thing we want to do Alex, we just can't always do them, you know what I mean?
Alex: What kind of things would you like to do? That you might not be able to do?
Sarah: Give up all my pills. Leave home. Live till I'm twenty-five at least.
Alex: You what?
Sarah: You heard.
Alex: You'll do that.
Sarah: I hope so.
(beat)
I'm sorry about your mum and dad.
Alex: Yeah.
Sarah: Marriage is odd.
Alex: Yeah
Sarah: Sometimes I think it's a completely insane ideia.

(he looks at her)

Alex: you never fancy it?
Sarah: I'd marry Roy Keane.
Alex: Fuck off. (beat) Nobody else?
Sarah: You want?
Alex: Would you never marry anyone else?

(she looks away from him)

Sarah: My mum and ad's marriage is fucking weird and all.
Alex: You telling me.
Sarah: They were nearly alright you know? And then, just at the last minute they fucking lost the plot.
Alex: Are you crying?
Sarah: No.
Alex: Don't cry.
Sarah: I'm not.

(He postiones her in his eye-line and draws a line around her with his finger)

Sarah: What are you doing?
Alex: I'm drawing a line around you. With my finger."

From "On the shore of the wie world" by Simon Stephens

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

I am game.


- Sabes qual e o problema de amar um homem que ama amar? E que ele nunca vai ser só teu. Eles foram desenhados assim - para serem os melhores amantes e depois partirem sem palavra. Não se pode doma-los.

- So quero encontrar alguém para amar. Would you find me somebody to love?

- Tu e que o tens que encontrar. Mas não o podes procurar.



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Not enough love.

Camarins. SAM despe o vestido, ficando de corpete, tira os saltos e senta-se olhando-se no espelho. Olha em volta, procurando alguma coisa e volta a olhar-se no espelho durante algum tempo. SAM ouve vozes no corredor e apressadamente comeca a remover a maquilhagem. JOHN entra no quarto sem bater a porta ainda a falar com alguem fora.

JOHN: Oh, muito muito obrigado...Sim sim, segunda-feira alguem lhe envia isso...Sim, la estaremos...Tudo bem entao... (risos enquanto fecha a porta e entra) Sam, oh, ainda bem que jas te estas a despir, temos que nos despachar que nao quero deixar o Mark a espera. Estive com a Sue agora, disse-me que ia escrever mal chegasse a casa e que sabado ja devia vir na revista. Disse que estava impressionadissima com casa cheia ao fim de dois meses. Que nunca esperou que um trabalho tao inovador... Disse que ia por o nome John Parks de novo nas paredes do metro. Nao e... Claro que tambem disse que estavas encantadora como sempre. Mas acho que a tua cena do quarto esta a ficar cada vez pior, ja esteve tao intensa, falta-lhe um bocado do passado, um bocado da nostalgia. Ja conseguiste te-lo tao perfeito Sam... E o teu dueto com o Shaun estava com pouca energia hoje, apercebeste-te disso?

SAM: Tens razao...

JOHN: Quer dizer, nao esteve mal nem nada mas aquele brilho que tu tinhas no olhar, hoje nao estava la... Dava-lhe aquela alegria de recem-casados sabes? Quase nem parecias tu hoje e...Sam? Porque raio e que estas a chorar? Desculpa, nao foi por mal mas... Nao...

SAM: Happy Anniversary, Burton...

JOHN: Shit... Sam, desculpa, eu...Eu tinha-me lembrado a semana passada mas...tambem nao podes esperar que me lembre de todas as vezes que ja acabamos e voltamos a comecar nao e? Nao e como se estivessemos casados nao e? Sam?

SAM: Nao, tens razao, nao e como se fossemos casados.

JOHN: Sam, tu conheces-me! Eu nao sou de casamentos, tu sabes. Eu nao sou de romantismos, tambem sabes disso. Do que e que estavas a espera? Que eu mudasse ao fim de 10 anos? Sam, nos estamos bem, assim.

SAM: Tu estas bem. Eu nao estava a espera que aparecesses com um ramo de flores vermelhas e uma orquestra de violinos a tocar a nossa musica que, by the way, nao temos porque "tu nao es de romantismos". Fine. Mas queria que te lembrasses John, que me admirasses hoje, so hoje, por ser, supostamente, a tua mulher e nao a actriz que tras publicidade a esta companhia.

JOHN: Oh por favor, tu...

SAM: Sou eu que te estou a levantar da lama e tu sabes disso. Eu nunca, nunca imaginei acabar nesta posicao John. E sabes o que e o mais ironico? E que a muitos anos atras, alguem me perguntou se eu me imaginava a acordar todos os dias ao teu lado. E eu, na altura que ainda era uma crianca sedenta por amor, sorri e disse que sim, que era onde me imaginava a ser mais feliz. Porque tu escreverias as tuas pecas e eu representaria numa companhia qualquer. Mas quando chegassemos a casa podiamos esquecer o teatro e viver as historias que nunca correm bem no palco. E sabes o que e que acontece agora? Acontece que eu aturo o teu feitio todos os dias a todas as horas. Obedeco-te porque es o meu director mas tenho que compreender os teus ataques porque es meu...qualquer coisa que nem marido e. Nao sou elogiada porque nao seria correcto para os outros actores mas e suposto saber que me admiras. Perdi-te John porque o palco sugou o amor que restava. E o teu ego levou o meu respeito pelo teu trabalho.

JOHN: Nao te vou implorar para ficares, se e disso que estas a espera.

SAM: Eu sei. Era bom, mas sei que nao o vais fazer.

JOHN: Es muito pouco sem mim. Nunca estiveste nesta industria sozinha. Nao vais durar muito.

SAM: Eu sei... Eu sei.


domingo, 1 de novembro de 2009

Life is yours alone.

Tem piada. Damos tanta importância a casa e no final "home should be where the heart is". Voltei a minha casa e percebi que já não cabia la. Ate não foi uma sensação ma. Foi só uma sensação diferente.
Acho que o meu mundo mudou, já não sou a mesma e ainda estou a tentar conhecer o novo ser que nasce dentro de mim e me transforma sem eu dar conta.
O futuro torna-se mais incerto a medida que me vou aproximando dele, as imagens que tinha tão claras do amanha começam a desvanecer. Já não tenho planos B. Nem sequer tenho plano A. Não tenho trampolins para me apanhar. Se calhar e por isso que lhe chama o Big Jump.
Desprendi-me de inibicoes. Já não tenho idade para fugir do que sou por não gostar do reflexo. E sabes, e muito interessante ver o quanto nos passa ao lado quando estamos fechados no nosso universo pequenino. Porque não nos apercebemos que a maioria das pessoas que tomamos como grandes não circulam muito alem do seu mundinho.
Senta-te comigo e olha ali. Procuram o sexo como se de amor se tratasse e ainda não perceberam a diferença entre os dois. E olha aqui - tanto diz que quer ser amado e não quer abrir o coração para deixar o afecto entrar. Diz que já foi magoado o suficiente. E estas a ver aquele rapaz ali? Deixou família, amigos e porto seguro para seguir para onde a vida o puxava. Agora fecha-se no trabalho porque ali tudo faz sentido, sabe que não vai ser apanhado de surpresa e cair quando tudo fazia sentido. A vida puxou-o para um sitio muito longe de casa e trocou-lhe as voltas. E aquela rapariga? Esta numa casa onde todas as paredes a lembram de amigos que partiram e amores acabados em lágrimas. Já não tem amante a dar-lhe sentido aos dias e quem manda agora e ela. E forca para isso, onde esta? E sabes aquele rapaz com ar de homem? Não e homem nenhum, continua aprisionado na mente de menino porque, tal qual Peter Pan, achou que podia pedir a quantas Wendys quisesse para ficarem com ele. Planos A, B C e D. E ainda não percebeu que assim não resulta. E uma das Wendys ganhou juízo e abdicou desse papel, assim há mais amor para outras pessoas. Mas sabes, aceitar amor também não e assim tão fácil. "A partir do momento que se cativa alguem fica-se responsável por ela". E ela cativa tanto que e impossível não se apaixonar por ela. E ela nem sabe do amor que tem a volta dela...
Vês? Não faz sentido nenhum. E demasiado aleatório para eu compreender. Por isso desisto. Sento-me e observo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

How long?

Fim de tarde. Becca e Cath estão sentadas num banco-baloiço no terraço com uma chávena nas mãos.
BECCA. Porque e que não disseste a ninguém? Podias estar morta for all we knew!
CATH. Tu sabias que eu estava aqui, não facas disto o que não e...
BECCA. E o que e que e isto?
(Silencio. )
CATH. Não te pedi para vires.
(Pausa)
A Sara apareceu la em casa a alguns dias. Mais uma chamada de atenção, vinha com a mochila as costas e vinha para se despedir porque ia fugir de casa... Claro que não tardou muito para a Anna a vir buscar... (CATH olha para a chávena de BECCA) Mais?
BECCA. Porque e que continuamos a beber Baileys em chávenas de chá? Já não temos 15 anos e não precisamos de fazer de conta que e leite, sabes?

(CATH sorri, pega na garrafa que estava por detrás do banco e deita na chávena de BECCA)
CATH. Porque não me faz sentir uma carcaça quarentona a embebedar-se com a melhor amiga e a chorar sobre os tempos áureos. Se e que alguma vez tivemos disso.
BECCA. Que idade tem a Sara agora?
CATH. 19 acho eu. Chegou e disse-me logo "Vim para me despedir Tia." Perguntei-lhe se ia de ferias mas disse-me logo que "Vou apanhar um avião para Londres. Vou atrás do meu sonho". Claro que o meu primeiro impulso foi rir-me na cara da miúda mas ela estava tão seria que decidi leva-la para uma volta a beira-mar.
BECCA. Ela continua a achar que e actriz?
CATH. Pior. Continua a achar que e actriz e nem sequer Tchekhov sabe quem e. Desde que fez aquela brincadeira de adolescentes acha que o lugar dela e um Hollywood e que tem um sonho. Eu tinha um sonho! Tu tinhas um sonho! E o que e que fizemos? Trabalhamos como cães e um dia atingimos qualquer coisa próxima dessa sonho.
(Pausa)
Sabes o qual era o plano dela? "Ir em busca do que a vida tem para lhe dar"... Imagina, mudar de pais só porque acha que há uma estrelinha no céu a cuidar dela? Como e que ela consegue ser tão ingénua e o que eu não compreendo! Tudo bem que nunca foi particularmente inteligente mas assim tão...
BECCA. Porque e que isto te esta a afecta tanto? E miúda, deixa-a estar, desde que os pais a controlem.
CATH. (com crescente desprezo) Mas ela acha que sabe tudo na vida e eu não sei mais como lhe mostrar que a vida não e nada do que ela conhece. Aquela arrogância adolescente de caminhar como se tudo lhe pertencesse por direito. Pedem tudo de todos, porque se acham no direito de viver ao máximo. Eu não vivi ao máximo. Porque? Porque isso não existe, porque e uma ilusão criada naquelas cabeças hormonais!
(Pausa)
A meio da nossa caminhada, assim,vindo do nada, ela perguntou-me porque se eu alguma vez tinha estado apaixonada e porque e que nunca me tinha casado. Perguntou-me se não gostava de ter alguém. A insolência da rapariga! O descaramento! Claro que gostava de me ter casado! Quem não gostaria de ter companhia todos os dias. E só que... nunca... Sabes o que e que ela me respondeu? Que companhia era uma razao muito pobre para se casar. Que só se queria casar quando o homem por quem se apaixonasse perdidamente aparecesse, o homem ideal.
(Pausa)
Ela acha, ela esta inteiramente convencida que ele vai aparecer porque e o direito dela, de ser amada por um homem que não veja a vida sem ela. Eu disse-lhe que não podia pedir tanto, que no final do dia, pedir um homem que lhe fizesse companhia e a respeitasse, já seria muito. Ela olhou para mim e havia pena no olhar dela quando me disse "Não me posso contentar com tão pouco Tia. Eu sei o que o amor e. E e muito mais que pés quentes no Inverno. Para ti isso pode chegar. Eu preciso de mais".

(CATH chora e BECCA deita mais licor nas chávenas)
BECCA. Todas achamos que precisamos de mais do que realmente e necessário. A paixão e só um capricho.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Why acting?

"We do not know who we are. But we know that we can act. We know that there is a greater or lesser quality to our performances... We are the people we act, but we have to act them well, and with a deepening sense of whether our performances are "truthful" or not."

ALICE: Why didn't you tell me before?
DAN: Cowardice.
ALICE: Is it because she's successful?
DAN: No, it's because she doesn't need me.
ALICE: Did you bring her here?
DAN: Yes.
ALICE: Didn't she get married?
DAN: She stopped seeing me.
ALICE: Was that when we went to the country to celebrate our third anniversary?
ALICE: Did you phone her, beg her to come back? when you went for lovely walks?
DAN: Yes.
ALICE: You're a piece of shit.
DAN: Deception is brutal. I'm not pretending otherwise.
ALICE: How? How does it work? How do you do this to someone?
Dan tries to think of an excuse.
ALICE: Not good enough.
DAN: I fell in love with her, Alice.
ALICE: Oh, as if you had no choice? There's a moment, there's always a moment, "I can do this, I can give in to this, or I can resist it." And I don't know when your moment was, but I bet you there was one. I'm gone.

(...)

ALICE: Can I still see you?
ALICE: Dan, can I still see you? Answer me.
DAN: I can't see you. If I see you, I'll never leave you.
ALICE: What will you do if I find someone else?
DAN: Be jealous.
ALICE: You still fancy me?
DAN: Of course.
ALICE: You're lying. I've been you. Will you hold me?He holds Alice, who's now crying.
ALICE: I amuse you but I bore you.
DAN: No. No.
ALICE: You did love me?
DAN: I'll always love you. I hate hurting you.
ALICE: Why are you?
DAN: Because I'm selfish. And I think I'll be happier with her.
ALICE: You won't. You'll miss me. No one will ever love you as much as I do. Why isn't love enough? I'm the one who leaves. I'm supposed to leave you. I'm the one who leaves.


From "Closer" by Patrick Marber

domingo, 13 de setembro de 2009

The Trapeze Swinger

Estavas deitado no meu colo e eu brincava com os teus cabelos loiros mais compridos que os meus. Eu prometi-te, em brincadeira, arranjar um substituto para o tabaco e só tinha mimos para te dar. Portanto brincava com os teus cabelos secos da maresia enquanto lia o meu "romancezinho de miúda" e lia-te de quando em quando uma passagem para te fazer rir de tanto mel. Desisti do livro quando dei por ti adormecido e dediquei-me a ter-te ali naquele momento. Uma semana e já te sentia como amigo de berço e sabia que dali não passava - nunca acreditei em amores de Verão se é que de paixão aquilo se tratava e sabia-te um espírito livre demais para te prenderes a qualquer corpo. Portanto limitei-me a sentir o teu corpo queimado do sol de encontro ao meu quase-dourado, sem te querer prender, sem me querer prender, sem expectativas, "nem desassossegos grandes".


Adormeceu o dia e acordaram os nossos corpos. Era a altura da despedida e eu não sabia como ia ficar sem ti porque nunca te tive, eras demasiado instável, a balançar no trapézio que fazias de vida. Falavas-me de todas as aventuras por que passaste, viagens sem rumo, vidas sem nome, aventuras em me levavas a passear pela tua paz de alma. Era a altura da despedida e eu procurava na tua expressão qualquer coisa que me dissesse que foste feliz na minha paz como eu fui na tua. Viste o meu olhar como secreto consentimento e puxaste-me para ti, sem reservas. Beijaste-me para me mostrares que no teu beijo podia pertencer ao teu mundo. Senti-me a voltar a vida, fantasmas arrumados, ali estava a paixão que me mostravam os teus olhos sempre que me sugavam o azul. A paixão, que nos engoliu para um estado onde não havia restrições de nenhuma ordem, tomou os corpos por território permitido e sintonizou-se com as respirações ofegantes. Ninguém precisava de saber e assim não precisavam de haver perguntas. Eu sabia de antemão que não podia ser tua mais que uma noite. Tu sabias que não havia lugar na minha vida para ti, por mais que uma noite. Era só uma noite, ninguém precisa de saber...

"Quando eu contar até três, viramos costas e voltamos a ver-nos quando o destino decidir."

Um

Dois

Três.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Quem gostarias de ser?

Senta-te. Não tenhas medo, as amarras estão aí para tua própria segurança. Não tentes fugir - não está aqui ninguém para além de ti próprio. Agora olha-te - quem reconheces? O que conheces? De ti, sim. Não, não me interessa nome, nem idade...nem profissão...nem estatuto! Isso não é quem tu és.
Sente a respiração a acelerar, a cabeça a começar a latejar lentamente...O ecrã continua a mostrar gráficos com as oscilações da tua voz e a porta está trancada. Não tens por onde fugir, consciencializa-te disso. Ai é assim que queres brincar? Seja. Sente o metal a imobilizar a tua cabeça, já só podes olhar em frente, para o teu reflexo. Vê os teus lábios gretados, o teu cabelo claramente pintado, a maquilhagem borratada. Sente-te despida e admira o teu corpo. Agora já não há nenhum amante para o amar, só restas tu. Ama-te. Tal e qual como te apresentas, sem cremes, sem bases, sem roupa estrategicamente desenhada para esconder as partes más. O que vês? Quem querias ver?
Desilusão? Esta és tu, este é o som da tua voz, este é o corpo que te cobre a alma, estes são os teus gestos.
Tirem o espelho. Tragam o ecrã. - Esta é a tua vida. Estas são as pessoas que a constituem. Porque é que não viveste mais? Porque estavas a espera de viver mais.
E agora, o que vais fazer? Já te conheces?

domingo, 6 de setembro de 2009

I have been changed for good.

Ontem à noite fizeram-me a homenagem da minha vida. As melhores amigas (esta e esta) puseram-se a frente das tropas e moveram meio mundo para me afogarem em lágrimas - e eu não sou uma crying person.
Fizeram questão de mostrar que os meus amigos são dos bons, dos que se importam e se orgulham. E nada faz melhor ao ego. O que eu faço questão de dizer agora que "I know I'm who I am today because I knew you". Sou facilmente moldável, é facto...But aren't we all?
Tenho um orgulho desmedido nestes meus amigos. É uma honra, enorme, poder dizer que os tive na minha vida e que ficarão, no matter what, "like a handprint on my heart".
Eu meço a minha vida nestas demonstrações de amor. Neste momento, a minha vida estão cheia dele.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Bastidores

Quando era miúda, o que mais me atraía no teatro não era o espéctaculo em si. Era o ambiente e o sitio em que o espectáculo era preparado. Os bastidores, o que eu imaginava deles, cheios de glamour, luzes e magia - lá está, era miúda.




Anos passaram e conheci mais dos bastidores. Neles deitaram-me os egos abaixo, espezinharam-me, elogiaram-me, iludiram-me, enganaram-me, desprezaram-me, ensinaram-me.
Nos bastidores ensinaram-me muito do que sei agora, os bastidores construíram a minha fibra. Nos bastidores encontrei amor no meio de inveja e nesse amor conheci a luz que via vindo da porta dos artistas. Nos bastidores decidi-me ser um peixe pequeno num grande lago em vez de me contentar em ser grande num pequeno. Nos bastidores encontrei mais mundos que no palco e nos bastidores amei mais que na vida. Os bastidores tem um poder enorme sobre quem se atreve a lá entrar. Para o bem ou para o mal. Eu já cá vivo. Já não sei sair.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

We're done.



Sabes que mais? Cala-te! Tu e a tua carreira com um futuro brilhante! Tu e os teus contactos perfeitos, as festas perfeitas, cheias de glamour e diversão. Sempre me tomaste por menor, sempre me tomaste como certa, sempre me tomaste como uma expectadora impaciente por mais um trabalho do grande génio.
Sabes que mais? O grande génio agora vou ser eu. Agora vou ser eu a mostrar ao mundo um trabalho brilhante, a ver o meu nome destacar-se na boca de todos menos na tua. Porque eu sei que não serás, nunca foste, capaz de admitir o meu sucesso. De admitir que tinha mais oportunidades que tu e só não as aproveitei até ao seu máximo para não te ofuscar.
Sabes que mais? Estou farta de ser a mulher que nos bastidores cuidava da tua e da minha vida. Já não consigo mais ouvir-te falar de projectos ambiciosos que nunca terão asas para voar. Da lista de todos os que admiras e conheces, a lista dos Grandes, onde o meu nome não está sequer em ultimo lugar.
Sabes que mais? Já sei que essa tua aparente indiferença relativa ao meu sucesso não passa de uma máscara para esconder essa tão feia inveja. Faz bom proveito dela porque we're done.

sábado, 29 de agosto de 2009

Por uma noite.

Pudesse eu ser muitas individualmente e hoje era a Mulher Fatal. Só por uma noite, escolhia ter-te rendido ao amor carnal que de Amor pode ter muito. Por uma noite, curávamos a saudade de todas as aventuras prometidas na ultima noite com sabor a primeira.





Pudesse eu ser a tua Mulher Fatal esta noite e a nossa noite não tinha fim.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Seriously

Mexo o café e como um chocolate no fim enquanto observo os passeadores da vida. Cada tem os seus pequenos prazeres. Os meus não são nem o café nem o chocolate. Esses são pequenos demais comparados com a sensação boa que me inunda quando me posso recostar assim, sem pressas nem tempos, e ver quem passeia a sua vida pela trela ou quem se deixa passear pela vida.
Numa parte da cidade, um casal de velhos amantes passeia o seu amor adormecido na palma das mãos. Já não se lembravam de onde o tinham guardado, em que gaveta é que tinham deixado, tapado por preocupações com contas em atraso, propinas, horarios e anos de monotonia de casamento. Encontraram-no numa saída ao teatro, puxaram-lhe o lustre e levaram-no a passear (as pessoas gostam sempre de mostrar o que tem de mais bonito quando vão a rua).
A passar pela mesma rua, a observar este amor antigo e iluminado pelas luzes do teatro, estava uma jovem, early twenties, a passear o coração cansado de um amor inútil. Os amores começam a ser inúteis quando já não aquecem o coração, quando no lugar da paixão está um vazio que nem é amor nem é conforto bom nem é nada. É memória. E ao lado dessa memória mora a desilusão, a confusão, a saudade, o desprezo. A jovem passeava o ramo de rosas que recebeu de coração vazio para coração ainda mais vazio e uma esperança apagada que da próxima vez, em vez de um ramo de rosas que nem sequer gostava, viesse um convite para viver outras vidas, de coração mais cheio, no teatro tão iluminado.
E em tão iluminado teatro, ninguém diria estar um coração em reboliço. Mais uma menina, desta vez menina mesmo de idade, que se sentava na cadeira da plateia pela mão da irmã mais velha que lhe segurava o coração que em reboliço jurava não estar. Ela tinha dado o coração todo, a troco de promessas de futuros felizes em terras que não constavam do mapa, e tinha-o recebido torcido. Minha menina, nunca te ensinaram a não brincares com artistas? Eles brincam contigo de volta.
Para ser justa, ele, que estava do outro lado da plateia, ofuscado por luzes de espelhos e o glamour habitual dos bastidores, também não tinha saído a ganhar. Artista ou não, ele também entregou o coração à menina, a troco de promessas de futuros felizes em terras que não constavam do mapa, e também voltou ao palco com ele torcido. Para ser justa, a culpa não foi de ninguém. Foi da vida, essa vadia que, quando não leva trela para passear, se diverte a andar por aí a rodopiar de peito em peito, disfarçando-se de amor eterno.
Quanto a mim, deixei-me de acreditar em amores eternos, há demasiado teatro tão mal encenado por essas ruas fora que só me resta saborear o meu chocolate negro. E entretanto, penso sobre o dia em que acreditei que podia domar a vida. Ingénua que fui. Tentei, acreditei mesmo que a tinha numa trela bem apertada para agora ela me aparecer a pregar uma partida pelas costas e eu só pensar: Seriously?

domingo, 16 de agosto de 2009

Devaneios de Meia-Noite.

O teu tabaco é o meu chá, com boa musica. A melancolia que a ti te sabe o fumo e o café, a mim sabe-me a menta e açúcar. E, envolta nessa neblina, nesse espírito, escrevo-te, para dizer-te que hoje senti falta de ouvir a tua voz a afagar-me a alma com a mesma delicadeza com que passeavas a mão pela minha cara, como se quisesses gravar na ponta dos dedos o que sabias perder em pouco tempo.
Parassem os relógios por nós, pudesse o mundo a nossa volta adormecer profundamente, e voariam as nossas almas, deixando os cadáveres inertes para trás e unindo-se no plano intemporal e irracional a que pertence o nosso amor.
A melancolia, hoje, mais do que a menta e açúcar, sabe-me á tua recordação, sabe-me a partida, sabe-me a regresso. Podia saber-me "aquele gosto amargo que temos quando acabamos um livro que gostamos muito". Mas sabe-me ao gosto doce de saber haver mais um livro a ser editado com a continuação da história.
O chá esfria, a noite já assentou e eu vou dormir, deitar-me com a cabeça mais limpa e o coração mais cheio de ti.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Música de filme, ao luar.

Os seus dedos duros de pressionar as cordas da guitarra ao som da minha voz nos dias anteriores agarravam agora os meus, gelados como aquela noite. O escuro trouxe com ele o silêncio e o cansaço a todos os outros corpos menos aos nossos. Os nossos, esses vibravam com o calor do coração, que segurávamos no enlace das mãos. A alma, essa que ficava tão fácil de entregar, cada vez mais fácil, era murmurada ali, com a lua como testemunha.
Enrolamos, só mais um bocadinho, só porque as mãos já não procuravam mãos mas também não sabiam ao certo o que procuravam. O coração, no entanto, sabia. O coração já se tinha denunciado nos olhares demorados por cima da guitarra a cada frase doce, a cada palavra chave.
O coração denunciou-os. O azul e o verde fundiram-se para deixar claro que eram os lábios que os lábios procuravam e a lua guardou-os enquanto encontravam a sintonia do peito e do corpo. No chão encontramos o sitio onde as mãos se dão. Nele encontrei a côr de casa.
No dia seguinte, quando a lua já tinha ido guardar outros amantes, olhei para ele e só consegui pensar "que pena não poder ficar, és quente quando a luz te traz". E parti. Com o gosto doce de rebuçado.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Caos - O Musical





Um espectáculo Imperdível. Bilhetes a venda no El Corte Inglês. Conto com a vossa presença :)

sábado, 27 de junho de 2009

Turn to stone.

Querido:
Acabo de embalar as miúdas, estão já a dormir espero e lembrei-me de te escrever para te actualizar. A Alexandra continua com a tua cabeça forte e a Sofia com o meu coração de manteiga. É engraçado ver como se sentem quase em sintonia, mais do que seria de esperar para as suas diferenças. E fico com muita pena que não as tenhas conhecido realmente, que não tenhas visto a Alexandra a crescer envolta no teu amor pelas palavras, histórias e pessoas. Que nunca a tenhas vista bailar jardins fora a rodopiar muito rápido até perder o equilíbrio e ficar perdida nos cabelos da cor do meu dourado, enquanto a irmã desenha, muito calada no mundinho dela, envolta nos teus caracóis e soturnidade, um gráfico que descreve o movimento giratório da desgraçada irmã que ri às gargalhadas da sua queda. Depois levanta-se, ainda a rir e a levantar o narizinho de porco (é teu, lembro-me agora) para a irmã que só quer ser deixada no próprio canto. Raio da miúda. Lembras-te que para ti tudo tinha que ser explicado pela lógica, pela ciência. Lembras-te o quanto isso me arreliava? Agora é mil vezes pior. Eu não sei muito bem que estranha mistura é que ela é, mas a verdade é que sente muito e depois não sabe o que fazer com tanto sentimento e então racionaliza. É uma combinação um bocado estranha, é verdade, mas eu nunca fui dada a números e portanto não compreendo o que é que ela se põe a fazer, enquanto a outra Criaturinha de espírito alegre e despreocupado constroi casas de madeira e sei lá eu mais o quê.
Sabes, elas já não estão iguais a fotografia que te dei da ultima vez. Já se passaram muitos anos e já não andam de vestidinhos curtos. A Sofia já não usa os cabelos soltos como teimavas em não usar e anda sempre com ele preso. É pena, ficava-lhe tão bem. A Alexandra continua igual, mesmo sorriso de menina, o mesmo nariz empinadinho e os meus cabelos de ouro. Se calhar devia tirar outra fotografia e levar-te à campa em breve. Assim podias ver nos olhos da Alexandra o mesmo brilho de menina, mas com uma maturidade que foi buscar sabe-se lá onde, uma força que te caracterizava o olhar e que me fez apaixonar por ti. Ias ver também um coração alegre e despreocupado mas um bocadinho torcido, às escondidas para ninguém ver (muito menos a mana, ela tem de dar o exemplo) e remendado pelo tempo. Mas tu bem sabes que o tempo não resolve tudo, tu mesmo mo ensinaste, o tempo precisa de ajuda de outros corações. Outros que não o meu e o da irmã. E mais corações virão, sinto-o no vento. Quanto à Sofia, ias ver uma mulher que não conhecias na menina. Uma mulher à primeira vista distante, mas com uma essência que tu lhe conseguirías captar. Sabes, ao contrario da irmã, ela não se dá logo, assim quase a troco de nada. Não, a Sofia é muito cautelosa. Ainda não é bem mulher mas para lá caminha. Ela aprende mais do que se apercebe com a irmã e fortalece-se graças a isso. Mas também aprende com as quedas (tantas quedas) que vai dando. Sabes, acho que a maior diferença entre ela e eu é que ela tem uma capacidade imensa de amar, amar muito, sem restrições, sem grandes mágoas. Elas existem, claro, como com toda a gente. Mas são depressa ultrapassadas pelo sentimento em si. Ainda tenho um bocado de medo que a queda grande, a verdadeira, esteja para vir, mas vou rezando para que não e torcendo que o coração dela seja como o teu era, amante incondicional.

Está decidido. Esta semana, quando te for levar flores novas, deixo-te uma foto recente delas. Vamos ao fotógrafo amanhã mesmo. Elas sentem a tua falta.


Um beijo

Da sempre tua


Victoria

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Turn and Turn again.

São estas noites as minhas preferidas. As que eu vou lá para fora, de pijama e descalça, com uma chávena de chá na mão e me sento na relva molhada. Fecho os olhos e respiro o cheiro a terra molhada, envolvida no ar abafado e doce e em silêncio de campo. São estas noites que me lembram que em breve o dia D chegará e ainda tantas arrumações para fazer! Tenho que empacotar fantasmas para não me assombrarem a vida nova como eu assombrei vidas que não compreendi terem mudado. Tenho de traduzir em palavras os sentimentos que me enchem o interior e dar essas palavras a quem me proporciona os sentimentos. Tenho que me despedir e preparar para o que vem e eu não conheço. Tenho tanta coisa para fazer antes de partir.
Pouso a chávena e abano a cabeça. Sai melancolia! Chega! O meu tempo aqui acabou, tenho de partir para outros pousos, viver outras vidas, não fui feita para parar, para ouvir ordens e não's, para viver dentro coisas que não me deixam expandir. Fui feita para voar como voei até agora. Fecho os olhos e começo dar a manivela que desvenda na tela imagens quentes, doces e boas, com sabor a chocolate derretido, pipocas, algodão doce e rebuçado. Como esta noite, outras noites, na piscina e gritar, cantar e a chapinhar. Como esta noite, dias quentes a correr de mãos dadas por campos e ruas de pedra desconhecidos. Outros dias no meio da cidade a sentir a liberdade de poder sentar no chão a ouvir artistas de rua. Outros dias passados numa sala de aula a ver meninos e meninas a transformarem-se em actores e actrizes. Outros dias a chorar no colo de mãe e irmã e outros dias a dar colo a duas irmãs choronas. Outros dias de frustração por o prometido futuro brilhante não chegar nunca e outros dias de alegria pura por estranhos nos darem abraços a troco de nada num aeroporto. Outros dias em campos de férias a ver meninos crescer e nós a ajudar e outros dias a ter quem nos ajude a crescer. Outros dias de coração destroçado e outros dias de coração apaixonado. Dias de promessas e dias de viagens. Tenho tantos dias para contar quando estiver velha, curvada e insistir em usar vestidos de praia. Tenho tantos dias mais para viver.
Levanto-me de rompante e faço festas a cadela que se deitou ao meu lado. Agarro nas preocupações e mando-as para lá da sebe. Dispo o pijama e deixo-me entregue ao vento da mudança. Ele me leve, agora mais leve, para onde tenho de ser levada. O meu tempo aqui acabou, parece-me. Tenho mais vidas para viver.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mood nada complexo!

Se alguém me for capaz de explicar o que se passava na minha cabeça neste dia, pago-vos!
EU ODEIO MATEMATICA!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Heart Shaped Lives - I

- Here's your Vanilla and Cream, Miss Good.
Starbucks was the everyday obligatory stop for Chloe ever since I could remember. At Uni she got it herself (obviously) but when she hired young "Stacy"s craving for a chance in the cinema industries, the Vanilla latte came to her accompanied by a big smile and the usual "anything you want, Miss Good", one in the morning and Earl Grey at fivish. You see, Chloe is the typical British girl, very fashionable (even though she buys all her stuff at Primark) skinny girl with long brown wavy hair, pale cheeks and big green eyes. You would almost associate her figure to a princess if you'd never met the woman behind her pretty face. The fact is that at 28, she and her boyfriend had already funded their own cinema company, "Poetic Tragedies", and produced some of the most beautiful films I've ever seen. When we met, at Uni, she was a little girl with her mind filled with romantic scenes coloured in pink and stories where the heart was the strongest hero but at the same time with a sort of raw intensity that wasn't easy to achieve in a "happy story". She was impossible to dislike but nobody would give her a chance to show her potential. She started filming anyway, using me (I was still new at the hole acting thing but I was the only resource she had) on low-budget productions. She met her boyfriend in a very movie-like moment (honestly I have no idea how these things happen to her) when Peter spotted her in the coffee-shop she worked at and got head over heals for her. He spent the whole afternoon just sitting there, staring at her and thinking about the best way to ask her out. When he saw her preparing to leave, we quickly scribbled on the napkin "You were my sunshine today. Will you be my sunshine tomorrow?" and ran to give it to her. She looked at him, smiled and said "Will you be mine?". They have been together ever since and they are the cutest couple I've ever met. Oh, but like I was saying, she started of with low-budget productions until she met Peter. He was a few years older than her and was ready to invest in her ideas which turned out to be great for both of them. Now she produces films and he's the artistic director. And right now she's late, again! I get it, it's the first week of production and lots of auditions, bla bla but she's the punctual one, I'm not even counting on Pe to be here on time:
-Fuck! I'm late!- Penelope screams when she looks at the clock. The naked male body next to her wakes up with the fuss, looks around to try to understand what's going on but the female naked body seems to remind him. I mean, how wouldn't it? She had all the female curves thing goin' on, she was the dream of every guy in that hospital and you can't blame them. Born in Spain, she has all that latin look, from the dark curls and deep eyes to the big hips and the golden skin, that makes guys go crazy and she takes advantage of that. She likes the flirty glances and hot sex dates but that's about that. She's not into taking anything seriously right now apart from her surgeries. She wasn't always like this, you know, she did love once. The problem was that she loved to much, with all her heart and passion, and wasn't able to love anyone else the same way. His name was Gerry and he was Irish, loved life and his life was Pe. If you believe in soul mates you would have loved meeting them. They were together for 5 years and one day he left, no explanations, just a note: "I do love you". She changed, never loved again and her "relationships" never last longer than 2 weeks and that's the way she likes to keep stuff. No names, no commitment, no future-talks, just good casual conversations and great sex.
-You're leaving, so soon? Can't you stay just a little longer? We could have dinner together...
-Sorry humm..(what's his name again?)cariño...But my best friend is hosting this thing to meet her new boyfriend and I'm supposed to pick up some cup-cakes...Actually I was suppose to make them but since I was here making other stuff... Never mind, I really have to go ok baby? Bring my scrub to the hospital tomorrow, will you ?
-Wait, I didn't even get your name.
-Consuelo - she yelled from the elevator.
Nick was starting to get impatient, I could see how he wasn't paying any attention to Rent and he loved Rent!
-Lil, I'm really gettin kind of nervous for this.
-What are you talking about, they're gonna love you! And you're gonna prove Pe that not all guys in musical theatre are gay.
-Well, they better not be, that wouldn't be good for your reputation at all would...
- Lil, open up, I'm starving! - Yelled Chloe from downstairs - Did I get here before Pe? See Peter? Told ya! Hi sweet-pie! And you must be Nick! Don't you look dashing. So tell me about...
I left Chloe to take care of Nick, she was awfully good at making people feel comfortable, and went to the window to wait for Pe when I saw her in the side-walk flirting with the taxi-driver. Oh for Pete's sake: - Penelope leave the poor bloke alone and come up!
(Peço desculpa a quem não perceber Ingles, eu traduzo o que quiserem :P)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Fogo e Água

Uma, uma miúda apaixonada pelo melhor amigo sem ele saber, inocente até mais não, numa altura em que o seu futuro era projectado todas as sextas feiras a noite na "anatomia de grey". Água. A outra, uma miúda com certeza de ser adulta numa turma de crianças, muitos caracóis muito despenteados, voz grave, atitude de quem manda e parede fria entre ela e os outros. Fogo. Uma noite, na excitação dos primeiros tempos de secundário, a miúda menina perguntou á menina adulta o que se passava com o seu coração. O Fogo respondeu que não queria falar disso, que já estava farta de acreditar em pessoas e que se recusava a dar o seu coração só porque sim, a troco de nada. A Água nem pensou duas vezes, ainda não tinha idade para ter sido magoada, o seu coração estava intacto e prometeu ali que seguraria no seu coração de Fogo sempre. Sempre é muito tempo, lembrou o Fogo. A Água engoliu em seco, respirou fundo e embarcou. Prometeu, de mão ao peito, segurar.lhe o coração só porque sim, como se a troco de nada. Naquela noite o Fogo queimou a parede fria e o agora quase ouço o John a sussurrar "Pain throws you heart to the ground, But I know the heart of life is good" a embalar aquela memória.
Quase três anos depois, o Fogo e a Água recorrem uma a outra nem que seja para partilhar devaneios que podem nem ser mais do que isso ou podem ser mais, muito mais. A verdade é que a Água já teve o seu coração espezinhado, já não estava intacto, já não o dava só porque sim, a troco de nada. A verdade é que o Fogo já acreditava mais nas pessoas, aprendeu a acreditar no bem delas, aprendeu que o coração da vida é bom. E a verdade é que os elementos se completam porque tem alguma coisa em comum.
Como caracterizarias a pessoa mais complexas que conheces? Fogo.
Como caracterizarias a pessoa com quem te é mais difícil lidares? Fogo.
Como caracterizarias a pessoa que mais admiras? Fogo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Despertar da Arte

No inicio do ano, 4 miúdos resolveram que deviam levar teatro à escola da medicina. No inicio do ano, aqueles 4 miúdos mal sabiam o que os esperava.

No final do ano, andava uma miúda loira descalça a gritar muito alto, de bloco de notas na mão, roupa para aqui, maquilhagem para acolá, microfones, luzes, bilhetes, som, flores, agua, comentários de ultima hora, marcações, 2 horas de sono e muito nervosismo. Nos bastidores estava o grupo de crianças com o coração cheio de vontade de se mostrarem.

O pano abriu e a miúda loira agarrou na mão da mãe e chorou enquanto a outra miúda em palco perguntava a sua mãe de onde vinham os bebés. Chorou por ver ali que todos os gritos, todo o esforço, todo o trabalho, compensou. Chorou por saber que tinha despertado a arte no coração daqueles que diziam nunca ter sequer pensado em teatro. Chorou por ter aprendido e por se orgulhar do que ensinou.

O discurso ficou por fazer. O discurso que a miúda loira tinha preparado para dizer que eles nunca a deixaram ficar mal. Eles nunca a desiludiram porque entravam em palco com amor pelo seu trabalho. Para dizer que se orgulhava deles muito mais do que de si mesma. Que aprendeu mais com eles do que eles com ela. Que repetiria mil vezes só para poder receber todos os abraços de quem sentiu a magia de mudar a história de uma escola. O discurso ficou por fazer.





Fechou-se a cortina e saltaram todos ao mesmo tempo: SPRING SPRING SPRING SPRING.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Back to the start?

Atravesso a cidade com o chão a escaldar, com o meu coração, também ele a escaldar, bem preso no peito. Amarrei-o antes de sair de casa para ter a certeza que mostrava só a quantidade certa do que tinha para mostrar. Não tinha dado já demais?
Eu vestido branco, bandeira da paz. Tu, preto, como sempre.
Sabes, é que estou em processo de arrumação. Não quero levar tralha a mais para terras de vossa majestade e já cá vou deixar ficar muita coisa. Queria que este peso ficasse também pelo caminho.
Nobody said it was easy, but it is such a shame for us to part. I'll try to take it back to the start. (Não terás cantado a musica no final errado?)
And I hope we don't come back as we are.
(Não é exercício de escrita criativa.)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Seaside.

Pés a arrastar a areia como quem saboreia a liberdade que de complexa não tem nada. Sentam-se e olham para o mar. Silêncio.
- Mana... Eu tenho medo. Tenho medo do que vem para o ano. Tenho medo que não gostem de mim, tenho medo de não conseguir deixar ninguém entrar no meu coração outra vez. Tenho medo.
- Nós amamos-te. Tens todo o amor dos teus. Dás-te tanto, e dão-te a ti. "Quanto mais deres, mais receberás, é a lei do mundo, sabias?".
- Mas eu não quero, não quero que chegue para o ano, não quero que vás, não quero estar assim, não quero pensar mais nele, não quero, não quero.
- Shhh, deita-te aqui.
Quem passou naquela praia, naquele dia, viu duas miúdas de vestido igual, pareciam convencidas que eram gémeas, em silêncio absoluto. Sabia-se lá que diálogos trocavam entre olhares entre elas e o mar.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Toma lá, faz bom proveito.

Fecho a porta de mansinho para não o acordar. Desta vez não se sentou ao piano no fim, adormeceu, depois de me ter descoberto os segredos e recantos do corpo. Chamo o elevador e vou-me olhando ao espelho. Estou atrasada querido, nem parece meu, deixar-te à espera. Não te preocupes, não te chateies, eu chego a tempo.
Corro rua abaixo com a cabeça a explodir de todas as imagens e mais algumas, nunca fui muito dada a arrumações, imagens onde vejo o meu corpo a ser dado a quem o ama pelo carnal e hollywoodesco que têm as coisas clandestinas, em cima de um piano.
E imagens de uma alma dada a ti, querido, sem restrições, imposições. Toma o meu coração, aqui o tens! Porque é que olhas para mim assim? Espera lá, porque é que to estou a entregar assim, sem pedidos, sem certezas, só porque sim. Só porque espero que o recebas? Entrego-te o meu coração em troca de um punhado de esperanças e sonhos construídos em nuvens.
Corro rua abaixo enquanto tento perceber porquê tu. Porque não o pianista que me ama todas as semanas. Ou pelo menos ama o corpo, a relação clandestina e hollywoodesca. Porque não o artista romanticozinho que me promete protecção e carinho eterno. Porque não um dos papelinhos deixados a estranhos nos transportes públicos, numa esperança de encontrar neles um bater de coração mais forte, que substitua a ausência de batimentos quando te vejo, a olhar para a tua meia de leite e o meu chá frio.
Corro rua abaixo e paro no nosso café. A tua meia de leite e o meu chá frio. Olhas-me com o mesmo olhar que nunca consigo decifrar. Sorris-me com o mesmo sorriso que sempre invejei, sorriso de quem esconde tudo e mais alguma coisa. Falo contigo como se o meu peito batesse. Sorrio-te como se fosse natural. Olho-te como se te visse todos os dias. Não sabes é que o meu coração não bate, o meu sorriso não é natural e olho-te como se te visse pela primeira vez.
Eu não preciso de ti. Eu não te amo. Eu quero-te. Pode ser ainda antes de partir?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Facto 2

"Se respirares, dói menos"

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tell me it was for something.

"I love you so much it consumes me."








I'm still waiting. I still believe.

terça-feira, 12 de maio de 2009

I hope I get it.

5 a.m.


Olhei para a cama do lado e a mana dormia "com os anjinhos". Eu abri o telemóvel para o fechar logo. Não queria ler todas as mensagens que me prometiam sorrisos, sucessos e futuros Londrinos. Só queria get it. I hope I get it. Dormitei, tentei, mais algumas horas até Bon Iver me acordar com a sua voz de paz. Vesti-me, roupa de audição, base, rimel, lápis branco, vocalizos, acordar ressonâncias, alongar músculos, chá preto, torradas com manteiga de amendoim, uma ou duas olhadelas de relance às partituras, lavar dentes, tudo dentro da back pack..Vamos lá. I hope I get it.


10 a.m.


Mountview Academy Of Theatre Arts. A grande placa não engana nem as cantorias vinds de lá de dentro. Está na hora. A Mãe e a Mana envolvem-me como se nunca mais me quisessem largar, a medo de me mandar lá para dentro, me mandar aos leões. Entrei na sala de dança. 55 pessoas. 54 aparentemente confiantes. Uma miúda a tremer.


5 p.m.


"Muito bem, estão aqui para ouvirem a nossa opinião sobre a vossa prestação. Queremos encorajar-vos a não desistirem do vosso sonho independentemente do resultado. Infelizmente, vão ter que...voltar cá em Setembro, Parabéns, foram aceites no curso."




I got it. And I'm a Mountviewan.








sábado, 2 de maio de 2009

Piano clandestino

Entrou e encontrou-o ao piano, no mesmo canto de sempre, o esquerdo, deixando o direito para ela. Ele tinha aberto a porta só para a deixar entre-aberta, para ela demorar o tempo que sentisse. Ela, silenciosa, sentou-se no seu canto direito do banco e pousou os dedos nas teclas, muito ao de leve, por não lhe querer estragar a concentração. Dois corpos, sentados ao piano.


Os dedos dele passeavam por todas as teclas quase sem lhes tocarem e ela fechava os olhos, para lhe sentir a alma no som. E enquanto sentia as variações de Mozart para Muse e de Muse para Chopin, sentiu também um roçar de lábios muito ao de leve, tão leve que teve de abrir os olhos para o perceber (tão perto). Os dedos passaram das teclas para os lábios, levando consigo um rasto mudo dos si's bemóis e fá's sustenidos, e desceram, pulsações arrastadas pelo pescoço até parar no peito, sufocar o peito, apertar o peito contra ele, contra a sua alma musical, de si's bemóis e fá's sustenidos. Ela deixou-se cair, deixou-se ir, dando a descobrir o corpo que não era dele, nem tão pouco dela. Aliás, já não era de ninguém à muito tempo, talvez estivesse na altura. Ela deixou a roupa cair, e deixou-se ir. Dois corpos, deitados sobre o piano.











-O que é que aconteceu?

- Não sei. Não sei mesmo.

-Nem eu.

-Mas foi bom.

- Não estou apaixonada por ti.

- Nem eu.

-Então o que é que somos?

- Precisamos mesmo de rotular isto?

- Não. Gosto muito de ti.

- Também gosto muito de ti.





Dia seguinte, entrou, fechou a porta de mansinho e sentou-se no lado direito.





sexta-feira, 1 de maio de 2009

Voicemail.

*ring.ring.ring.ring*


"Hey! It's Tani...and Mary! We're not home right now, so, you know what to do: SPEAAAAK!...Ok..speak...NOW!"


*biiiiip*


Voicemail #1:


Olá filhotaaaas! É a mãe. Onde é que estão que não estão em casa a esta hora? Andam por aí fora com este frio? Façam favor de se agasalhar e proteger esse peito, Londres é a terra dos cachecóis, do something about it! E não andem a guerra das bolas de neve OUTRA VEZ! Protejam também as orelhas com as ear-mufs. E uma ultima coisa... Protejam o vosso coração também, pode ser? Não se esqueçam que existem pessoas que não tem cuidado com corações alheios como eu vos ensinei a ter. E nada de demorar uma semana a responder a isto, como da ultima vez, sim? Love you dears.


*Biiiip*


Voicemail #2:


Olá Mãe!...Olá Mãe! Não, não não estávamos fora de casa, estávamos a dormir, muito trabalho, ninguém disse que a faculdade era fácil! (risos..SHUT UP!) Ah, e quanto aos nossos corações, não te preocupes. Estamos a descobrir que já levaram tanta fita-cola que se tornou em gesso e não partem mais.E agora temos de ir...SNOW-BALL FIGHT!




quarta-feira, 29 de abril de 2009

Hoje quem lecciona sou eu.

-André, senta-te. Quero ensinar-te uma coisa que eu só espero que te ajude no futuro, quando cresceres, entendes? Eu sei que sim, és demasiado parecido comigo nesse aspecto. Quando tiveres amizades que valham a pena, agarra-te a elas, não as deixes escapar, engole todo o orgulho se tiver de ser, mas agarra-te. Mas há também aquelas em que já não vale a pena porque um dos corações está tão cheio de raiva (nota que raiva é passageiro, eu não disse ódio, não te ponhas para aí a odiar pessoas, nada de bom advém disso) que nem sequer é racional, nem sequer se esforça por compreender o outro coração, simplesmente desiste. Esses são os fracos, os que desistem das coisas na vida sem tentarem. Podem desistir de muitas coisas, de amizades, de carreiras, de namoros, de viverem. Quando acontece isso, deves tentar na mesma, podes até voltar a engolir o orgulho todo. Mas não te humilhes, não mintas, eu nunca o fiz e orgulho-me muito disso.


Sabes, tens de perceber que ninguém é feito de uma coisa só. Todas as acções que as pessoas fazem, tem por trás uma complexa rede de pensamentos, pessoas e momentos que condicionam todas as acções. Portanto, nunca julgues o que não compreendes totalmente. E se mesmo não conhecendo estiveres mesmo mesmo chateado (porque tens direito) e quiseres explodir, tem cuidado com os corações dos outros. São tão importante quanto o teu, não podes andar por aí a magoar pessoas. Isso não se faz. Entendes o que te estou a tentar explicar?




- Sim mana. Mas agora posso voltar pó Disney Channel? É que vai começar o "Hotel doce Hotel".



(Suponho que era o meu dever de irmã ensinar-lhe o bocadinho sobre a vida que aprendi.)










E parece que os astros sempre se alinharam porque hoje,

o professor pôs-me a vocalizar em "I hate you" e cantei

com toda a minha pujança.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Dia não para secretárias.

Cheguei atrasada, cabelo despenteado, não sabia imprimir em frente e verso, não sabia do agrafador, não sabia das tesouras, não sabia tirar recibos, não sabia como manter a ordem com os miúdos, não sabia atender telefonemas, não sabia depositar dinheiro, não sabia passar o cartão de crédito, não sabia ser secretaria.

Acabou o dia e estava uma secretária feita. Uma mulher (parcialmente) desfeita.

Choveu, houve poucos abraços grátis, a progenitora andou de coração pesado, a irmã andou de coração pesado, eu andei de coração pesado. O Freixo que vá ao seu livrinho de Astrologia e me diga o que raio se passa com os Astros. Porque o meu grande dia aproxima-se e os astros que se alinhem.


Acabou e dia e estava uma secretária feita. Uma mulher feita de risos dos admiradores, das gargalhadas de quem observa a "trapalhona" a tentar ser profissional, da força dos corações quentes que fazem uma mulher.



O Luís disse que achava as secretárias extremamente sensuais. Eu acho-as sexuais. Fiz-me secretária, mesmo em dia-não.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Conferência.




"Chorando se foi quem um dia só me fez chorar."


Por causa das (minhas) babes, percebi que quem ficou a chorar foste tu, e não eu. E não tentes inverter as coisas outra vez!

Despertar da Primavera

Auditório de Gondomar, dia 6 de Junho às 21.30h













Um peça representada pelo Clube de Teatro do Externato Camões e encenado por Tânia Couto. Mais informações, aqui.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Future tenses.

Em Londres fui feliz.


Em Londres seria feliz.


Em Londres serei feliz.








(Só quero chegar ao " Em Londres sou feliz")

domingo, 19 de abril de 2009

see you soon.

Lembras-te do que eras antes de eu te ter colhido? Eras oco, não tinhas amor para dar e não o conseguias receber. Eras a noite e estavas comfortavel no teu canto sem luz. E eu entrei mais fundo na tua vida e mostrei-te o que era teres luz na alma que não existia em ti. E eu mudei-te e moldei-te de maneira a poderes amar. E eu fiz com que andasses leve e com que confiasses.
Lembras-te do que me sussuravas, tantas vezes, no meio de todos os outros sussuros perdidos nas horas perdidas nos teus braços, que esperarias por mim, till kingdom come? Não esperaste. E agora, sussuras os mesmo sussurros noutros braços que não os meus.
Ensinei-te a amar. O feitiço virou-se contra o feiticeiro.
Lembras-te do que eu era, antes de te ter colhido? Já não sou a mesma.
(a tia Faty uma vez disse ao tio Adão:" vives muito agarrado ao passado Adao". E eu sei que a Tia tem razao, de nada nos serve agarrarmo-nos ao passado. Mas somos familia e eu saio ao tio.)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Fact.

We cry when guys break up with us. And then we are bitchy and make jokes.









It's just something that we, Girls, do. Deal with it!

domingo, 12 de abril de 2009

treze.

Hoje andas todo contente pela casa toda porque é o teu dia e pudeste comer pêssego em calda para o pequeno-almoço só porque sim. Andas tão contente como eu andava á treze anos atrás porque tinha um bebé novo.
Estás na idade do despertar da primavera e eu não posso deixar de sentir o meu peito a encher-se de orgulho de cada vez que olho para ti a correr pela casa a dançar Jai-ho e a arranjar o cabelo vinte mil vezes de cada vez que vês o teu reflexo. Não posso deixar de sentir o meu peito a encher-se de orgulho quando sinto que vens ter comigo para me contar coisas parvas que fizeste com os teus amigos só porque te lembraste e eu sou a unica que acha piada a isso (ou finjo que acho piada, para não me sentires ausente demais, já chega a ausencia do dia-a-dia). Não posso deixar de sentir o peito a encher-se de orgulho quando te sentas ao lado de mim e da minha guitarra a cantar (tão desafinadamente) "nobody said it was easy, nobody said it would be this hard" e a seguras o meu coração embalado pela melodia e recalcado por um sentimento de perda que ainda és muito novo para conhecer. E como eu queria que nunca conhecesses. Como eu queria proteger esse sorriso de menino despreocupado com o peito aberto para receber tudo o que vier. Não podes receber tudo o que vier, meu querido. As coisas não funcionam assim. Mas tu ainda não sabes isso e eu não tenho como te mostrar - ainda estás a despertar para a primavera.


You cut me down to size, and opened up my eyes, made me realize what I could not
see.

Parabéns, míudo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Oh so wild.

[Não sou só eu que lhe seguro o coração reciclado. Ela também segura o meu coração já quase-renovado. ]

Sabem... às vezes, nesta idade em que ainda nos estamos a adaptar às oscilações emocionais do mundo, os sentimentos são tantos, tão repentinos e profundos que é preciso um time-out para libertar tudo, antes que se torne demais para caber no nosso peito de mulheres a aprender como viver e amar tudo o que queremos sem dor (será que alguma vez se chega a aprender isso?)





Sabem...é muito boa a sensação de crescer em sintonia com a nossa irmã.

Jai Ho

Vi o filme "he's just no that into you" e saí do cinema a pensar que se calhar não existem sinais escondidos, que quando nos magoam não é porque gostam demais de nós e não sabem lidar com isso e que o amor é demasiado procurado e poucas vezes encontrado.


Vi o filme "Slumdog Millionaire" e saí do cinema a pensar que o amor tem de existir, damn, o míudo passou a vida toda a procura do amor dele. Encontrou-o não encontrou?





Vou acreditar antes nos indianos que dancantes e apaixonados. É tudo uma questão de escolha, não é?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Simple.



I'm Not looking for Love. Casual works just fine for now.

(Love is not a victory march. It's a cold and it's a broken Hallelujah)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Três copos vazios.

Três copos vazios. Inicio da noite.



R.


"Importas-te de tirar daqui o portátil ? Já que não estás a ajudar!"
"Sabes perfeitamente que não gostas que interfira quando cozinhas. " Sei, de facto. Estava só a tentar não falar dela. Ela está bem. Eu estou bem. Olho para ti, falsamente concentrada em qualquer coisa no teu ecrazinho. Levantas-me os olhos azuis e eu percebo que estas como eu. Com o coração nas mãos. Soltas o teu nervosismo: (eu cozinho, tu berras. Artista):"Caramba, porque é que os homens são tão ótarios! Parece uma mulher, só complica, só pensa, só atrofia e só lhe faz mal! E é que estou mesmo a ver ela a ir ter com ele e ele a dizer "não és tu, sou eu" e depois daqui a uma semana a ligar-lhe porque sente falta. Ele é tão inconstante, tão sensivelzinho, tão gaja! Que nervos! Nunca os devia ter apresentado". Eu conto as chávenas de açúcar e de chocolate em pó enquanto tu berras pela centésima vez as nossas maldições legitimas de amigas. Eu mexo a massa e unto forminhas enquanto o insulto baixinho mas tu ouves. Depois calas-te e olhas para mim. Não, esse olhar não. "Não o devias convidar para vir cá passar o fim de semana". Duas colheres de chá de fermento e continuar a mexer para a direita. "Estás a ouvir que te estou a dizer? Não me interessa que ele seja o Deus da cama." - "Mas tem uns abdominais incríveis"-"Não interessa!" - "Mas eu amo-o". Deitar a massa nas forminhas, devagarinho para ficar uniforme. "Já sofreste demais, R." As tuas palavras espetam-me como facas no peito já farto de cozinhar para cobrir a tua ausência. Quero os teus braços na minha cintura e a brincar com os meus caracóis. Quero sentir-me mulher outra vez. "Nunca vai ser só hot sex e risos apaixonados, sabes disso não sabes, R.?"- "Mas eu quero hot sex e risos apaixonados, as pessoas mudam, crescem, aprendem. E eu não saberei se não tentar." Olhas-me com cara de mãe que não pode deixar o filho andar de bicicleta para o cimento porque vai cair e esfolar os joelhos. Mas vai aprender. Baixas o olhar e diriges-te a casa de banho. Eu baixo o olhar para os meus cup.cakes e só consigo ver o corpo dele e o meu, os lençóis a envolverem os sorrisos, a minha cabeça no peito dele, no peito, a sensação de pertença, a minha boca... A porta a bate, os tacões furiosos no chão. Fuck, ela já chegou?





L.


Passeio o cursorzinho pelos documentos que me prometo a mim mesma organizar desde sabe Deus quando e passo pelas fotos de nós as três na altura do secundário. Sorrio sem ela ver. Está demasiado concentrada nos bolinhos dela. A M. vai ficar contente quando chegar, os cup.cakes de chocolate sempre foram os preferidos dela. A M. vai ficar contente. Vai chegar feliz, com o sorriso parvo de quem ama pela primeira vez, como se não se tivesse passado nada. Ela vai chegar contente. Levanto os olhos e a R. está a olhar para mim com o olhar que tem a cor do meu peito. Ela pode não chegar contente, dizem-me os teus olhos, ela pode não chegar como se não tivesse passado nada, ele pode manter a opinião dele. Já o conheço a tanto tempo e nunca estive tão chateada com ele! Que nervos! Levanto-me e barafusto pela cozinha, de um lado para o outro, olho de vez em quando para a R. para ver se ainda está a seguir o meu raciocínio (mal era se não seguisse, já dissemos isto tudo antes mas não interessa) e continuo, a amaldiçoar todos os filhos da mãe que não conseguem ser os homens da relação e parecem cinderelazinhas. A fúria acaba por me passar, agora só valia a pena esperar que ela chegasse. Entretanto, tínhamos outro assunto pendente. Caramba R, porque é que insistes em sofrer, já não achas que chega de massacre. Os teus argumentos quase me amolecem o coração porque vejo o amor que tens por ele a transbordar em cada bolinho que enfeitas com tanto cuidado. Mas não podes ceder. Não podes porque te vais magoar, não vês isso? Mas tu amas. Eu também amei. Eu amava-o, sei agora que sim. E não tive a oportunidade de voltar a tentar, como tu tens. Será que devias,? Voltar a tentar? Não te posso mostrar parte fraca. Vou a casa de banho. Tranco a porta e atrevo-me a olhar ao espelho. Não me reconheço,estou feia, estou sem brilho, claro que não posso ser amada. Não, tu é que escolheste, tens a vida que sempre quiseste, a carreira que sonhaste, não podes ter tudo, não podes ter o sucesso e o amor. Tiveste o teu conto de fadas e agora ficas com a recordação que já não é mau. Mas sou feia, tão feia... A chave a entrar na porta, os passos furiosos...Ela já chegou? Fuck.









M.


Podia ter ido de elevador, nunca tinha subido pelas escadas desde que nos mudamos, mas achei que hoje precisava de mais tempo antes de chegar lá acima.
Os olhos dele, tão parecidos com os meus, vagueavam o chão, nem cheguei a perceber se ele tinha alguma coisa a dizer ou ia ter que ser eu a dizer tudo. Como é que ele se atrevia!? Eu compreendo, não tenho como não compreender, não sou de berrar com as pessoas, nunca fui, não ia conseguir. Mas, caramba! Bastava fazer-se homem! Tomar as decisões e mantê-las em vez de se encolher com qualquer coisinha. Ele deixou-me subir até ao meu estado de felicidade suprema para depois me largar do nada só porque sim. Eu não sou a Princesinha Disney que ele acha, não sou, ninguém é uma coisa só, ele conhece tão pouco de mim. Mas também não conhece o quão forte eu sou. Ele não sabe. Ele não sabe...Meto a chave na fechadura e dirigo-me ao meu quarto, ele é demasiado complicado para mim, eu não tenho de aturar isto. Ligo as colunas alto e bom som e a voz do Enrique começa a trazer-me o misto de raiva com prazer que tanto estava a precisar desde o momento que lhe pus os olhos em cima, no inicio da noite no restaurante. Foi tudo tão rápido e ainda assim todas as palavras parece que demoraram uma eternidade a correr o ar. Fecho os olhos e apago essa imagem. Tu não me conheces e eu não sou princesinha. Não sou boneca de porcelana, não parto. Tiro os tacões, fecho os olhos e deixo-me levar. As ancas soltam-se, os longos caracóis pintam as paredes e o tecto de raiva e poder feminino. Abro os olhos e estão elas as duas a porta com cara de mães. "NÃO SOU UMA BONECA! NÃO PARTO!" grito-lhes. Elas olham para mim e sorriem com orgulho. Entram, fecham a porta juntam-se a minha energia. Juntas, fechamos os olhos e deixamos que as nossas curvas se libertem e sintam o poder de ser assim, fortes e livres.






A noite já ia longa e encaixavamo-nos as três no sofá grande da sala com os copos de vinho numa mão e os cup.cakes na outra. E rimo-nos muito, muito alto e vindo do peito.


quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Esta noite promete"

Pela casa ouviam-se o miúdo de tronco nu a cantar "Ciara" e a voz melosa duma hot diva a gemer "Enrique" enquanto as irmãs abanavam o loiro e o castanho em heels que prometiam "curtir a brava". Base, rimel, skinny jeans, sombras, espuma e ancas a abanar como quem diz "i'm not a touching material".

Foi uma festa como prometia ser, com bocas paralelas pela mesa do jantar e a indignação crescente de uma mulher farta de ser o homem da relação á flor da pele. Saltaram e abanaram o capacete (literalmente) sem pinga de álcool para aterrarem as duas na cama com o melhor amigo a olhar para o tecto e a falar directamente do coração (qual anatomia de grey). E foi no meio de desabafos sobre homens que insistem em ser as Cinderelas dos namoros e mulheres que tem de assumir o controlo que o telemóvel (finalmente) tocou. O amigo e a irmã saíram e sentaram-se cá fora com o coração nas mãos enquanto o outro estava a ser torcido lá dentro. O rosto fragmentado abriu a porta coberto em lágrimas e a irmã correu a abraça-la e deita-la enquanto o amigo ia buscar a manta e os chocolates. Fizeram conchinha tentando aconchegar todas as lágrimas da menina e segurar no peito ferido de quem não percebe e (pior) não aceita uma ruptura com os argumentos de um só lado.


Na manha seguinte acordaram juntas, a noite tinha lavado as lágrimas e substituído a tristeza pela força de uma menina que tinha encontrado uma mulher tão maior e tão capaz de mostrar que ninguém é uma coisa só, ninguém é só princesinha ou só bitch.

O tratamento feminino continua. Hoje há sessão de terapia com series feministas, chocolate e muito mimo e bitchisse , não tivessem as irmãs uma progenitora tão pior que elas.
Esta noite promete.

domingo, 29 de março de 2009

Meme "Muito Mais de você"

Recebi este desafio/meme de D'um detalhe e tem o objectivo de darmos-nos a conhecer melhor a quem nos lê. Achei muita piada ao desafio e resolvi aceitar, obrigada Mafalda :)

A entrevista.

.Quando e porquê resolveu criar o blog?
O blog foi criado em Julho 2007, acho que como uma necessidade de mudança. Costumava escrever num flog e descobri que queria mudar o tipo de escrita, porque também eu estava a mudar.

. Depois de o blog ter entrado no ar, o que lhe dá mais satisfação nele?
Oh, tantas coisas! Adoro a sensação de arrumação que fica no meu meu peito depois de ter organizado o turbilhão de sensações tão constante mas gosto principalmente de sentir quando os leitores se identificam com este ou aquele post.

. Quais os assuntos que mais gosta de postar?
Tudo que "remexer as entranhas". É muito dificil definir um assunto em concreto, não seria justo para com os meus "rascunhos" cataloga-los, tanto é que nem consigo.

. Porque deu este nome ao seu blog?
O nome surgiu muito aleatóriamente, bastou-me pensar no porquê de o criar e a unica imagem que me veio á cabeça foi um bloco de notas muito muito rascunhado com os meus pensamentos espalhados por todo o lado. E então ficou.


. Já teve algum problema com comentários?
Problema problema, não. Mas gosto sempre de saber quem me comenta, o que nem sempre acontece.

. Algum blogueiro(a) que admire?
Ultimamente tem descoberto blogues mesmo mesmo bons e fico fascinada com a escrita deste pessoal que ás vezes me dá a honra de cá vir dar um saltinho. Mas admirar, tenho que dizer a Joana Mendes, Mariana Sousa e Alexandra Côrte-Real. A escrita delas é tão unica e singular que me arrepiam todas as vezes.



Perguntas sobre a autora:

Nome Tania Couto
Onde mora Ribeirão
Comprometida(o) não
Um mês Julho
Um ano 2008
Uma estação Verão
Uma flor Girasol
Uma matéria Agua
Um passatempo Sorrir
Um desporto Dança
Um herói Pai
Um filme Moulin Rouge
Uma musica "Older Chests"
Um programa Friends
Uma mania Fechar portas
Uma profissão Actriz
Uma coisa importante Amor
Um sonho O palco
Um amor Os Meus.
Uma paixão Chocolate
Um desejo O que faço todas as noites á "star light, star bright"
Adoro Demonstrações de carinho
Odeio Banana
Amigos Os realmente importantes
Um lugar A ponte
Uma cidade Sidney e Londres
Uma peça de roupa Vestido
Um defeito Orgulho
Uma virtude .
Um doce Gomas
Uma frase «gosto tanto de ti»


Passo o meme aos blogs:
Coração em Demasia
Dancemos no Mundo
Melodias do Coração
Expressividades
Como uma apostrofe


Espero que gostem :)

quarta-feira, 25 de março de 2009

love yourself.

Endireita as costas.
Vesticaliza o pescoço.
Pára de comer.
Não respires com a boca aberta.
Olha a direito.
Olha para essa pele seca.
Não fales tão alto.
Não vais usar isso pois não?
Cortas-te o cabelo?
Não sonhes alto demais.
Por este andar, nunca mais fazes isso.
Tens de te aplicar mais.




Learn to love yourself?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Not I.

Olhou para mim com o olhar que lhe denunciava a infinita experiência que tinha por cima de mim e senti-me despida, como me sentia sempre que se sentava e teimava em ter comigo, "aquelas conversas". Nesses momentos eu tinha de parar, despir-me de todas defesas e ouvir o que me dizia. "É difícil primir o botão off. Se calhar é difícil até descobri-lo e esqueces-te que o tens."
Apresentou-me os factos, muito concretos, que apoiavam a sua opinião como num texto da parte III, cuidadosamente estruturado com argumentos e exemplos claros. Ouvi, engoli, e os sentimentos transbordaram quando os olhos já não aguentavam mais o turbilhão de sentimentos.
Ali estava ele, o meu amigo que sabia tanto mais que eu a fazer-me fazer a decisão mais difícil da minha vida e eu com vontade de lhe dizer que não, eu sabia mais que ele, tinha de saber, é o meu talento, a minha "estrelinha da sorte".
-"Esta é a minha opinião. A decisão é tua. Vou-te apoiar em qualquer decisão que tomes". Isto não estava no contrato de fazer 18 anos.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Caos.

Tudo naquela noite tinha sido a perfeição. O cheiro a maresia no ar, o céu estrelado, o restaurante com todo o ambiente hollywoodesco, o olhar dele nela, só nela, como se todos os movimentos fossem propositados, desenhados para uma fotografia que não estava a ser tirada.
Vinham a dançar (literalmente) quase sem pisar o chão ao som do coração e das gargalhadas despreocupadas soltas nos longos cabelos loiros dela. O seu peito não podia estar mais cheio de amor, não havia, não podia haver no mundo momento mais feliz que aquele. Sabes, desde que estou contigo, sinto que é mais fácil lidar com a vida. É mais fácil tão mais fácil quando estamos acompanhados. Os olhos dele desviam-se, Também tenho sido muito feliz neste ano que passou... Oh, sim, foi á um ano! (Porque terá ele desviado os olhos?) E parece já uma eternidade! Lembras-te de quando nos conhecemos? Parecia um filme de Hollywood! Sentiu o peito dele contra o seu e só faltava o clássico levantar de pé, quaL princesa Disney... Meu amor, não vejo a vida sem ti, és tudo para mim. O meu sol, a minha noite de estrelas. Porque se afasta ele? Porque não olha para mim? Quando vejo as horas e o dia a acabar sinto que tudo vai ser diferente quando te encontrar, no sossego da nossa noite. Sinto-o a fugir. Não está comigo, olha a volta como se procurasse alguma coisa. O que procuras?...Sinto-te longe. Mas estou aqui, perto de ti. Dá-me as mãos. Já o vejo, está aqui, mesmo ao meu lado. Não há razão para preocupações. (O peito respira)Deixo-me mergulhar nos olhos dele. Gosto dos teus olhos à noite. Gosto sempre de ti Gosto de amar-te. Ele inspira e aproxima-se mais...e mais... Tudo é tão mais fácil contigo. Tao puro, tão feliz, tão calmo. Vives dento de mim, na minha pele. Vives em mim Carla. É difícil imaginar um dia sem ti. Oh Luís, se tu soubesses como me tens, como sou tua sem restrições. Encho-me do seu amor e só quero gritar, rodopiar, voar, mostrar ao mundo que o amo, que sou feliz, com toda a intensidade da felicidade que todos procuram e só eu encontrei. Mas vamos ser sempre assim. Não vejo a vida sem ti!
Carla, senta-te aqui, preciso de falar contigo.
Que se passa Luís, estas bem?
Sim, sim... Porque é que não consigo ouvir o teu coração a bater? Porque é que me desta a noite mais perfeita da minha vida e agora te recusas finaliza-la como devia ser? Porque é que me estas a estragar o conto de fadas? Porque é que não falas, não me contas, não me explicas e ficas aí sentado a ver-me sofrer som saber porquê? Porque é que estas a levar o meu amor? Para onde é que o estas a levar? Não é justo me tirares o que sempre me deste tão facilmente. Não é justo que tu saibas o porquê da minha dor e eu não. O que é que eu fiz de mal?
A empresa vai para Moscovo e convidaram-me para dirigi-la. São três anos sem abandono do local.
"Felicidade
Solidão
Dor e paixão.
Querem saber?"
Caos - O musical.
 

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