quarta-feira, 29 de abril de 2009

Hoje quem lecciona sou eu.

-André, senta-te. Quero ensinar-te uma coisa que eu só espero que te ajude no futuro, quando cresceres, entendes? Eu sei que sim, és demasiado parecido comigo nesse aspecto. Quando tiveres amizades que valham a pena, agarra-te a elas, não as deixes escapar, engole todo o orgulho se tiver de ser, mas agarra-te. Mas há também aquelas em que já não vale a pena porque um dos corações está tão cheio de raiva (nota que raiva é passageiro, eu não disse ódio, não te ponhas para aí a odiar pessoas, nada de bom advém disso) que nem sequer é racional, nem sequer se esforça por compreender o outro coração, simplesmente desiste. Esses são os fracos, os que desistem das coisas na vida sem tentarem. Podem desistir de muitas coisas, de amizades, de carreiras, de namoros, de viverem. Quando acontece isso, deves tentar na mesma, podes até voltar a engolir o orgulho todo. Mas não te humilhes, não mintas, eu nunca o fiz e orgulho-me muito disso.


Sabes, tens de perceber que ninguém é feito de uma coisa só. Todas as acções que as pessoas fazem, tem por trás uma complexa rede de pensamentos, pessoas e momentos que condicionam todas as acções. Portanto, nunca julgues o que não compreendes totalmente. E se mesmo não conhecendo estiveres mesmo mesmo chateado (porque tens direito) e quiseres explodir, tem cuidado com os corações dos outros. São tão importante quanto o teu, não podes andar por aí a magoar pessoas. Isso não se faz. Entendes o que te estou a tentar explicar?




- Sim mana. Mas agora posso voltar pó Disney Channel? É que vai começar o "Hotel doce Hotel".



(Suponho que era o meu dever de irmã ensinar-lhe o bocadinho sobre a vida que aprendi.)










E parece que os astros sempre se alinharam porque hoje,

o professor pôs-me a vocalizar em "I hate you" e cantei

com toda a minha pujança.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Dia não para secretárias.

Cheguei atrasada, cabelo despenteado, não sabia imprimir em frente e verso, não sabia do agrafador, não sabia das tesouras, não sabia tirar recibos, não sabia como manter a ordem com os miúdos, não sabia atender telefonemas, não sabia depositar dinheiro, não sabia passar o cartão de crédito, não sabia ser secretaria.

Acabou o dia e estava uma secretária feita. Uma mulher (parcialmente) desfeita.

Choveu, houve poucos abraços grátis, a progenitora andou de coração pesado, a irmã andou de coração pesado, eu andei de coração pesado. O Freixo que vá ao seu livrinho de Astrologia e me diga o que raio se passa com os Astros. Porque o meu grande dia aproxima-se e os astros que se alinhem.


Acabou e dia e estava uma secretária feita. Uma mulher feita de risos dos admiradores, das gargalhadas de quem observa a "trapalhona" a tentar ser profissional, da força dos corações quentes que fazem uma mulher.



O Luís disse que achava as secretárias extremamente sensuais. Eu acho-as sexuais. Fiz-me secretária, mesmo em dia-não.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Conferência.




"Chorando se foi quem um dia só me fez chorar."


Por causa das (minhas) babes, percebi que quem ficou a chorar foste tu, e não eu. E não tentes inverter as coisas outra vez!

Despertar da Primavera

Auditório de Gondomar, dia 6 de Junho às 21.30h













Um peça representada pelo Clube de Teatro do Externato Camões e encenado por Tânia Couto. Mais informações, aqui.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Future tenses.

Em Londres fui feliz.


Em Londres seria feliz.


Em Londres serei feliz.








(Só quero chegar ao " Em Londres sou feliz")

domingo, 19 de abril de 2009

see you soon.

Lembras-te do que eras antes de eu te ter colhido? Eras oco, não tinhas amor para dar e não o conseguias receber. Eras a noite e estavas comfortavel no teu canto sem luz. E eu entrei mais fundo na tua vida e mostrei-te o que era teres luz na alma que não existia em ti. E eu mudei-te e moldei-te de maneira a poderes amar. E eu fiz com que andasses leve e com que confiasses.
Lembras-te do que me sussuravas, tantas vezes, no meio de todos os outros sussuros perdidos nas horas perdidas nos teus braços, que esperarias por mim, till kingdom come? Não esperaste. E agora, sussuras os mesmo sussurros noutros braços que não os meus.
Ensinei-te a amar. O feitiço virou-se contra o feiticeiro.
Lembras-te do que eu era, antes de te ter colhido? Já não sou a mesma.
(a tia Faty uma vez disse ao tio Adão:" vives muito agarrado ao passado Adao". E eu sei que a Tia tem razao, de nada nos serve agarrarmo-nos ao passado. Mas somos familia e eu saio ao tio.)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Fact.

We cry when guys break up with us. And then we are bitchy and make jokes.









It's just something that we, Girls, do. Deal with it!

domingo, 12 de abril de 2009

treze.

Hoje andas todo contente pela casa toda porque é o teu dia e pudeste comer pêssego em calda para o pequeno-almoço só porque sim. Andas tão contente como eu andava á treze anos atrás porque tinha um bebé novo.
Estás na idade do despertar da primavera e eu não posso deixar de sentir o meu peito a encher-se de orgulho de cada vez que olho para ti a correr pela casa a dançar Jai-ho e a arranjar o cabelo vinte mil vezes de cada vez que vês o teu reflexo. Não posso deixar de sentir o meu peito a encher-se de orgulho quando sinto que vens ter comigo para me contar coisas parvas que fizeste com os teus amigos só porque te lembraste e eu sou a unica que acha piada a isso (ou finjo que acho piada, para não me sentires ausente demais, já chega a ausencia do dia-a-dia). Não posso deixar de sentir o peito a encher-se de orgulho quando te sentas ao lado de mim e da minha guitarra a cantar (tão desafinadamente) "nobody said it was easy, nobody said it would be this hard" e a seguras o meu coração embalado pela melodia e recalcado por um sentimento de perda que ainda és muito novo para conhecer. E como eu queria que nunca conhecesses. Como eu queria proteger esse sorriso de menino despreocupado com o peito aberto para receber tudo o que vier. Não podes receber tudo o que vier, meu querido. As coisas não funcionam assim. Mas tu ainda não sabes isso e eu não tenho como te mostrar - ainda estás a despertar para a primavera.


You cut me down to size, and opened up my eyes, made me realize what I could not
see.

Parabéns, míudo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Oh so wild.

[Não sou só eu que lhe seguro o coração reciclado. Ela também segura o meu coração já quase-renovado. ]

Sabem... às vezes, nesta idade em que ainda nos estamos a adaptar às oscilações emocionais do mundo, os sentimentos são tantos, tão repentinos e profundos que é preciso um time-out para libertar tudo, antes que se torne demais para caber no nosso peito de mulheres a aprender como viver e amar tudo o que queremos sem dor (será que alguma vez se chega a aprender isso?)





Sabem...é muito boa a sensação de crescer em sintonia com a nossa irmã.

Jai Ho

Vi o filme "he's just no that into you" e saí do cinema a pensar que se calhar não existem sinais escondidos, que quando nos magoam não é porque gostam demais de nós e não sabem lidar com isso e que o amor é demasiado procurado e poucas vezes encontrado.


Vi o filme "Slumdog Millionaire" e saí do cinema a pensar que o amor tem de existir, damn, o míudo passou a vida toda a procura do amor dele. Encontrou-o não encontrou?





Vou acreditar antes nos indianos que dancantes e apaixonados. É tudo uma questão de escolha, não é?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Simple.



I'm Not looking for Love. Casual works just fine for now.

(Love is not a victory march. It's a cold and it's a broken Hallelujah)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Três copos vazios.

Três copos vazios. Inicio da noite.



R.


"Importas-te de tirar daqui o portátil ? Já que não estás a ajudar!"
"Sabes perfeitamente que não gostas que interfira quando cozinhas. " Sei, de facto. Estava só a tentar não falar dela. Ela está bem. Eu estou bem. Olho para ti, falsamente concentrada em qualquer coisa no teu ecrazinho. Levantas-me os olhos azuis e eu percebo que estas como eu. Com o coração nas mãos. Soltas o teu nervosismo: (eu cozinho, tu berras. Artista):"Caramba, porque é que os homens são tão ótarios! Parece uma mulher, só complica, só pensa, só atrofia e só lhe faz mal! E é que estou mesmo a ver ela a ir ter com ele e ele a dizer "não és tu, sou eu" e depois daqui a uma semana a ligar-lhe porque sente falta. Ele é tão inconstante, tão sensivelzinho, tão gaja! Que nervos! Nunca os devia ter apresentado". Eu conto as chávenas de açúcar e de chocolate em pó enquanto tu berras pela centésima vez as nossas maldições legitimas de amigas. Eu mexo a massa e unto forminhas enquanto o insulto baixinho mas tu ouves. Depois calas-te e olhas para mim. Não, esse olhar não. "Não o devias convidar para vir cá passar o fim de semana". Duas colheres de chá de fermento e continuar a mexer para a direita. "Estás a ouvir que te estou a dizer? Não me interessa que ele seja o Deus da cama." - "Mas tem uns abdominais incríveis"-"Não interessa!" - "Mas eu amo-o". Deitar a massa nas forminhas, devagarinho para ficar uniforme. "Já sofreste demais, R." As tuas palavras espetam-me como facas no peito já farto de cozinhar para cobrir a tua ausência. Quero os teus braços na minha cintura e a brincar com os meus caracóis. Quero sentir-me mulher outra vez. "Nunca vai ser só hot sex e risos apaixonados, sabes disso não sabes, R.?"- "Mas eu quero hot sex e risos apaixonados, as pessoas mudam, crescem, aprendem. E eu não saberei se não tentar." Olhas-me com cara de mãe que não pode deixar o filho andar de bicicleta para o cimento porque vai cair e esfolar os joelhos. Mas vai aprender. Baixas o olhar e diriges-te a casa de banho. Eu baixo o olhar para os meus cup.cakes e só consigo ver o corpo dele e o meu, os lençóis a envolverem os sorrisos, a minha cabeça no peito dele, no peito, a sensação de pertença, a minha boca... A porta a bate, os tacões furiosos no chão. Fuck, ela já chegou?





L.


Passeio o cursorzinho pelos documentos que me prometo a mim mesma organizar desde sabe Deus quando e passo pelas fotos de nós as três na altura do secundário. Sorrio sem ela ver. Está demasiado concentrada nos bolinhos dela. A M. vai ficar contente quando chegar, os cup.cakes de chocolate sempre foram os preferidos dela. A M. vai ficar contente. Vai chegar feliz, com o sorriso parvo de quem ama pela primeira vez, como se não se tivesse passado nada. Ela vai chegar contente. Levanto os olhos e a R. está a olhar para mim com o olhar que tem a cor do meu peito. Ela pode não chegar contente, dizem-me os teus olhos, ela pode não chegar como se não tivesse passado nada, ele pode manter a opinião dele. Já o conheço a tanto tempo e nunca estive tão chateada com ele! Que nervos! Levanto-me e barafusto pela cozinha, de um lado para o outro, olho de vez em quando para a R. para ver se ainda está a seguir o meu raciocínio (mal era se não seguisse, já dissemos isto tudo antes mas não interessa) e continuo, a amaldiçoar todos os filhos da mãe que não conseguem ser os homens da relação e parecem cinderelazinhas. A fúria acaba por me passar, agora só valia a pena esperar que ela chegasse. Entretanto, tínhamos outro assunto pendente. Caramba R, porque é que insistes em sofrer, já não achas que chega de massacre. Os teus argumentos quase me amolecem o coração porque vejo o amor que tens por ele a transbordar em cada bolinho que enfeitas com tanto cuidado. Mas não podes ceder. Não podes porque te vais magoar, não vês isso? Mas tu amas. Eu também amei. Eu amava-o, sei agora que sim. E não tive a oportunidade de voltar a tentar, como tu tens. Será que devias,? Voltar a tentar? Não te posso mostrar parte fraca. Vou a casa de banho. Tranco a porta e atrevo-me a olhar ao espelho. Não me reconheço,estou feia, estou sem brilho, claro que não posso ser amada. Não, tu é que escolheste, tens a vida que sempre quiseste, a carreira que sonhaste, não podes ter tudo, não podes ter o sucesso e o amor. Tiveste o teu conto de fadas e agora ficas com a recordação que já não é mau. Mas sou feia, tão feia... A chave a entrar na porta, os passos furiosos...Ela já chegou? Fuck.









M.


Podia ter ido de elevador, nunca tinha subido pelas escadas desde que nos mudamos, mas achei que hoje precisava de mais tempo antes de chegar lá acima.
Os olhos dele, tão parecidos com os meus, vagueavam o chão, nem cheguei a perceber se ele tinha alguma coisa a dizer ou ia ter que ser eu a dizer tudo. Como é que ele se atrevia!? Eu compreendo, não tenho como não compreender, não sou de berrar com as pessoas, nunca fui, não ia conseguir. Mas, caramba! Bastava fazer-se homem! Tomar as decisões e mantê-las em vez de se encolher com qualquer coisinha. Ele deixou-me subir até ao meu estado de felicidade suprema para depois me largar do nada só porque sim. Eu não sou a Princesinha Disney que ele acha, não sou, ninguém é uma coisa só, ele conhece tão pouco de mim. Mas também não conhece o quão forte eu sou. Ele não sabe. Ele não sabe...Meto a chave na fechadura e dirigo-me ao meu quarto, ele é demasiado complicado para mim, eu não tenho de aturar isto. Ligo as colunas alto e bom som e a voz do Enrique começa a trazer-me o misto de raiva com prazer que tanto estava a precisar desde o momento que lhe pus os olhos em cima, no inicio da noite no restaurante. Foi tudo tão rápido e ainda assim todas as palavras parece que demoraram uma eternidade a correr o ar. Fecho os olhos e apago essa imagem. Tu não me conheces e eu não sou princesinha. Não sou boneca de porcelana, não parto. Tiro os tacões, fecho os olhos e deixo-me levar. As ancas soltam-se, os longos caracóis pintam as paredes e o tecto de raiva e poder feminino. Abro os olhos e estão elas as duas a porta com cara de mães. "NÃO SOU UMA BONECA! NÃO PARTO!" grito-lhes. Elas olham para mim e sorriem com orgulho. Entram, fecham a porta juntam-se a minha energia. Juntas, fechamos os olhos e deixamos que as nossas curvas se libertem e sintam o poder de ser assim, fortes e livres.






A noite já ia longa e encaixavamo-nos as três no sofá grande da sala com os copos de vinho numa mão e os cup.cakes na outra. E rimo-nos muito, muito alto e vindo do peito.


quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Esta noite promete"

Pela casa ouviam-se o miúdo de tronco nu a cantar "Ciara" e a voz melosa duma hot diva a gemer "Enrique" enquanto as irmãs abanavam o loiro e o castanho em heels que prometiam "curtir a brava". Base, rimel, skinny jeans, sombras, espuma e ancas a abanar como quem diz "i'm not a touching material".

Foi uma festa como prometia ser, com bocas paralelas pela mesa do jantar e a indignação crescente de uma mulher farta de ser o homem da relação á flor da pele. Saltaram e abanaram o capacete (literalmente) sem pinga de álcool para aterrarem as duas na cama com o melhor amigo a olhar para o tecto e a falar directamente do coração (qual anatomia de grey). E foi no meio de desabafos sobre homens que insistem em ser as Cinderelas dos namoros e mulheres que tem de assumir o controlo que o telemóvel (finalmente) tocou. O amigo e a irmã saíram e sentaram-se cá fora com o coração nas mãos enquanto o outro estava a ser torcido lá dentro. O rosto fragmentado abriu a porta coberto em lágrimas e a irmã correu a abraça-la e deita-la enquanto o amigo ia buscar a manta e os chocolates. Fizeram conchinha tentando aconchegar todas as lágrimas da menina e segurar no peito ferido de quem não percebe e (pior) não aceita uma ruptura com os argumentos de um só lado.


Na manha seguinte acordaram juntas, a noite tinha lavado as lágrimas e substituído a tristeza pela força de uma menina que tinha encontrado uma mulher tão maior e tão capaz de mostrar que ninguém é uma coisa só, ninguém é só princesinha ou só bitch.

O tratamento feminino continua. Hoje há sessão de terapia com series feministas, chocolate e muito mimo e bitchisse , não tivessem as irmãs uma progenitora tão pior que elas.
Esta noite promete.
 

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