sexta-feira, 29 de maio de 2009

Back to the start?

Atravesso a cidade com o chão a escaldar, com o meu coração, também ele a escaldar, bem preso no peito. Amarrei-o antes de sair de casa para ter a certeza que mostrava só a quantidade certa do que tinha para mostrar. Não tinha dado já demais?
Eu vestido branco, bandeira da paz. Tu, preto, como sempre.
Sabes, é que estou em processo de arrumação. Não quero levar tralha a mais para terras de vossa majestade e já cá vou deixar ficar muita coisa. Queria que este peso ficasse também pelo caminho.
Nobody said it was easy, but it is such a shame for us to part. I'll try to take it back to the start. (Não terás cantado a musica no final errado?)
And I hope we don't come back as we are.
(Não é exercício de escrita criativa.)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Seaside.

Pés a arrastar a areia como quem saboreia a liberdade que de complexa não tem nada. Sentam-se e olham para o mar. Silêncio.
- Mana... Eu tenho medo. Tenho medo do que vem para o ano. Tenho medo que não gostem de mim, tenho medo de não conseguir deixar ninguém entrar no meu coração outra vez. Tenho medo.
- Nós amamos-te. Tens todo o amor dos teus. Dás-te tanto, e dão-te a ti. "Quanto mais deres, mais receberás, é a lei do mundo, sabias?".
- Mas eu não quero, não quero que chegue para o ano, não quero que vás, não quero estar assim, não quero pensar mais nele, não quero, não quero.
- Shhh, deita-te aqui.
Quem passou naquela praia, naquele dia, viu duas miúdas de vestido igual, pareciam convencidas que eram gémeas, em silêncio absoluto. Sabia-se lá que diálogos trocavam entre olhares entre elas e o mar.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Toma lá, faz bom proveito.

Fecho a porta de mansinho para não o acordar. Desta vez não se sentou ao piano no fim, adormeceu, depois de me ter descoberto os segredos e recantos do corpo. Chamo o elevador e vou-me olhando ao espelho. Estou atrasada querido, nem parece meu, deixar-te à espera. Não te preocupes, não te chateies, eu chego a tempo.
Corro rua abaixo com a cabeça a explodir de todas as imagens e mais algumas, nunca fui muito dada a arrumações, imagens onde vejo o meu corpo a ser dado a quem o ama pelo carnal e hollywoodesco que têm as coisas clandestinas, em cima de um piano.
E imagens de uma alma dada a ti, querido, sem restrições, imposições. Toma o meu coração, aqui o tens! Porque é que olhas para mim assim? Espera lá, porque é que to estou a entregar assim, sem pedidos, sem certezas, só porque sim. Só porque espero que o recebas? Entrego-te o meu coração em troca de um punhado de esperanças e sonhos construídos em nuvens.
Corro rua abaixo enquanto tento perceber porquê tu. Porque não o pianista que me ama todas as semanas. Ou pelo menos ama o corpo, a relação clandestina e hollywoodesca. Porque não o artista romanticozinho que me promete protecção e carinho eterno. Porque não um dos papelinhos deixados a estranhos nos transportes públicos, numa esperança de encontrar neles um bater de coração mais forte, que substitua a ausência de batimentos quando te vejo, a olhar para a tua meia de leite e o meu chá frio.
Corro rua abaixo e paro no nosso café. A tua meia de leite e o meu chá frio. Olhas-me com o mesmo olhar que nunca consigo decifrar. Sorris-me com o mesmo sorriso que sempre invejei, sorriso de quem esconde tudo e mais alguma coisa. Falo contigo como se o meu peito batesse. Sorrio-te como se fosse natural. Olho-te como se te visse todos os dias. Não sabes é que o meu coração não bate, o meu sorriso não é natural e olho-te como se te visse pela primeira vez.
Eu não preciso de ti. Eu não te amo. Eu quero-te. Pode ser ainda antes de partir?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Facto 2

"Se respirares, dói menos"

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tell me it was for something.

"I love you so much it consumes me."








I'm still waiting. I still believe.

terça-feira, 12 de maio de 2009

I hope I get it.

5 a.m.


Olhei para a cama do lado e a mana dormia "com os anjinhos". Eu abri o telemóvel para o fechar logo. Não queria ler todas as mensagens que me prometiam sorrisos, sucessos e futuros Londrinos. Só queria get it. I hope I get it. Dormitei, tentei, mais algumas horas até Bon Iver me acordar com a sua voz de paz. Vesti-me, roupa de audição, base, rimel, lápis branco, vocalizos, acordar ressonâncias, alongar músculos, chá preto, torradas com manteiga de amendoim, uma ou duas olhadelas de relance às partituras, lavar dentes, tudo dentro da back pack..Vamos lá. I hope I get it.


10 a.m.


Mountview Academy Of Theatre Arts. A grande placa não engana nem as cantorias vinds de lá de dentro. Está na hora. A Mãe e a Mana envolvem-me como se nunca mais me quisessem largar, a medo de me mandar lá para dentro, me mandar aos leões. Entrei na sala de dança. 55 pessoas. 54 aparentemente confiantes. Uma miúda a tremer.


5 p.m.


"Muito bem, estão aqui para ouvirem a nossa opinião sobre a vossa prestação. Queremos encorajar-vos a não desistirem do vosso sonho independentemente do resultado. Infelizmente, vão ter que...voltar cá em Setembro, Parabéns, foram aceites no curso."




I got it. And I'm a Mountviewan.








sábado, 2 de maio de 2009

Piano clandestino

Entrou e encontrou-o ao piano, no mesmo canto de sempre, o esquerdo, deixando o direito para ela. Ele tinha aberto a porta só para a deixar entre-aberta, para ela demorar o tempo que sentisse. Ela, silenciosa, sentou-se no seu canto direito do banco e pousou os dedos nas teclas, muito ao de leve, por não lhe querer estragar a concentração. Dois corpos, sentados ao piano.


Os dedos dele passeavam por todas as teclas quase sem lhes tocarem e ela fechava os olhos, para lhe sentir a alma no som. E enquanto sentia as variações de Mozart para Muse e de Muse para Chopin, sentiu também um roçar de lábios muito ao de leve, tão leve que teve de abrir os olhos para o perceber (tão perto). Os dedos passaram das teclas para os lábios, levando consigo um rasto mudo dos si's bemóis e fá's sustenidos, e desceram, pulsações arrastadas pelo pescoço até parar no peito, sufocar o peito, apertar o peito contra ele, contra a sua alma musical, de si's bemóis e fá's sustenidos. Ela deixou-se cair, deixou-se ir, dando a descobrir o corpo que não era dele, nem tão pouco dela. Aliás, já não era de ninguém à muito tempo, talvez estivesse na altura. Ela deixou a roupa cair, e deixou-se ir. Dois corpos, deitados sobre o piano.











-O que é que aconteceu?

- Não sei. Não sei mesmo.

-Nem eu.

-Mas foi bom.

- Não estou apaixonada por ti.

- Nem eu.

-Então o que é que somos?

- Precisamos mesmo de rotular isto?

- Não. Gosto muito de ti.

- Também gosto muito de ti.





Dia seguinte, entrou, fechou a porta de mansinho e sentou-se no lado direito.





sexta-feira, 1 de maio de 2009

Voicemail.

*ring.ring.ring.ring*


"Hey! It's Tani...and Mary! We're not home right now, so, you know what to do: SPEAAAAK!...Ok..speak...NOW!"


*biiiiip*


Voicemail #1:


Olá filhotaaaas! É a mãe. Onde é que estão que não estão em casa a esta hora? Andam por aí fora com este frio? Façam favor de se agasalhar e proteger esse peito, Londres é a terra dos cachecóis, do something about it! E não andem a guerra das bolas de neve OUTRA VEZ! Protejam também as orelhas com as ear-mufs. E uma ultima coisa... Protejam o vosso coração também, pode ser? Não se esqueçam que existem pessoas que não tem cuidado com corações alheios como eu vos ensinei a ter. E nada de demorar uma semana a responder a isto, como da ultima vez, sim? Love you dears.


*Biiiip*


Voicemail #2:


Olá Mãe!...Olá Mãe! Não, não não estávamos fora de casa, estávamos a dormir, muito trabalho, ninguém disse que a faculdade era fácil! (risos..SHUT UP!) Ah, e quanto aos nossos corações, não te preocupes. Estamos a descobrir que já levaram tanta fita-cola que se tornou em gesso e não partem mais.E agora temos de ir...SNOW-BALL FIGHT!




 

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