quinta-feira, 25 de junho de 2009

Turn and Turn again.

São estas noites as minhas preferidas. As que eu vou lá para fora, de pijama e descalça, com uma chávena de chá na mão e me sento na relva molhada. Fecho os olhos e respiro o cheiro a terra molhada, envolvida no ar abafado e doce e em silêncio de campo. São estas noites que me lembram que em breve o dia D chegará e ainda tantas arrumações para fazer! Tenho que empacotar fantasmas para não me assombrarem a vida nova como eu assombrei vidas que não compreendi terem mudado. Tenho de traduzir em palavras os sentimentos que me enchem o interior e dar essas palavras a quem me proporciona os sentimentos. Tenho que me despedir e preparar para o que vem e eu não conheço. Tenho tanta coisa para fazer antes de partir.
Pouso a chávena e abano a cabeça. Sai melancolia! Chega! O meu tempo aqui acabou, tenho de partir para outros pousos, viver outras vidas, não fui feita para parar, para ouvir ordens e não's, para viver dentro coisas que não me deixam expandir. Fui feita para voar como voei até agora. Fecho os olhos e começo dar a manivela que desvenda na tela imagens quentes, doces e boas, com sabor a chocolate derretido, pipocas, algodão doce e rebuçado. Como esta noite, outras noites, na piscina e gritar, cantar e a chapinhar. Como esta noite, dias quentes a correr de mãos dadas por campos e ruas de pedra desconhecidos. Outros dias no meio da cidade a sentir a liberdade de poder sentar no chão a ouvir artistas de rua. Outros dias passados numa sala de aula a ver meninos e meninas a transformarem-se em actores e actrizes. Outros dias a chorar no colo de mãe e irmã e outros dias a dar colo a duas irmãs choronas. Outros dias de frustração por o prometido futuro brilhante não chegar nunca e outros dias de alegria pura por estranhos nos darem abraços a troco de nada num aeroporto. Outros dias em campos de férias a ver meninos crescer e nós a ajudar e outros dias a ter quem nos ajude a crescer. Outros dias de coração destroçado e outros dias de coração apaixonado. Dias de promessas e dias de viagens. Tenho tantos dias para contar quando estiver velha, curvada e insistir em usar vestidos de praia. Tenho tantos dias mais para viver.
Levanto-me de rompante e faço festas a cadela que se deitou ao meu lado. Agarro nas preocupações e mando-as para lá da sebe. Dispo o pijama e deixo-me entregue ao vento da mudança. Ele me leve, agora mais leve, para onde tenho de ser levada. O meu tempo aqui acabou, parece-me. Tenho mais vidas para viver.

13 rascunhos alheios:

Marianinha disse...

You only remember what you live, so live it (to the fullest) so you can remember and tell.

As ordens e os nãos's não acabam aqui babe, vais continuar a ouvir ordens e não's, talvez não das mesmas pessoas, talvez de outras e acima de tudo (e espero eu que enquanto cresces aprendas) teus (espero eu que enquanto cresces, aprendas que tu também tens de dizer que não e dar ordens a ti mesma).
Guarda essas imagens quentes que tanto te embalam e aquecem o peito, para as continuares a contar. Tira dessas imagens o melhor que tens a tirar e tudo o que estiver a mais, não tenhas medo de guardar noutra gaveta. Não leves (para lá) os sentimentos que te possam fazer doer o peito, esses que não foram traduzidos em palavras. Guarda-os noutra gaveta, não com as imagens quentes que te aquecem o peito, porque se a gaveta estiver cheia, não guarda mais imagens, e depois não vives, nem guardas, nem lembras quando fores velhinha e teimares em usares vestidos de praia e estiveres comigo e com a mãe no alpendre (não do condomínio com piscina, mas da casa à beira da praia) a ver anatomia e a chorar baba e ranho que nem bebés, ou a rir que nem maluquinhas ao lembrarmo-nos dessas mesmas imagens quentes :)

(não morri babe, estava só aqui a limpar as lágrimas de estar a ouvir a música que só me faz lembrar anatomia e lagrimas e lenços por todo o lado. eu tu e a mãe, e a falta que isso me vai fazer)

amo-te mana, com o coração todo que eu tenho.

Mara disse...

Lindas palvras.
Tenho a certeza que irás vover outras vidas recheadas, que tudo te correrá pelo melhor. Assim espero ;)

beijinho

Débra disse...

Pois foi um ano ocm emoçoes fortes, mas muito bonito :D

(depois mando te a foto :D)

Joana Éme. disse...

Estou a pensar como vou juntar trocos para passar o máximo de fins de semana em Londres, de clinex de baixo do braço e Anatomia que não podes ver primeiro que nós - haveremos de chorar as três de mãos dadas, o teu tempo não acabou aqui. Aqui, onde moram as recordações que tenho de ti, contigo, o tempo não poderia acabar. Não tem como acabar, o sentimento que te tenho. Fosses tu para a Sibéria, aqui terias tempo de sobra, sempre. No meu colo não moram despedidas. No meu peito não existem empacotagens de fantasmas, eles que assombrem que estarei de mão dada contigo e não terei medo.

Não tenhas também. No teu peito, que hajam fantasmas, estarei lá também, fazendo-lhes testa e frente. E não terás medo, então.

Tens mais dias para viver e sim, foste feita para voar como até aqui.
Voa, meu bem. Expande, vive, sonha. Envelhece e conta, vestida em trapos transparentes e primaveris.

O teu tempo aqui não acabou.
Independentemente.

Xaninha disse...

Tu és mesmo, és do vento e gostas de voar e de ser do mundo e das pessoas.
(Vê bem como nos somos tanto de espírito livre e mente e coração aberto)

Mas sabes, voar é óptimo, mas às vezes a ventania é tanta que é preciso ter corações pra descansar, corações que nos conhecem os cantos; é preciso "casa". E nós somos casa, aqui é casa, indepentemente dos poisos que decidires explorar, das pessoas que decidires descobrir, dos mundos que decidires mudar. E eu vou-te olhar, com orgulho e admiração por seres em tantos lados diferentes, seres tanto em tanta gente, como no fundo olho já agora.
Mas não te esqueças que é preciso pertencer e é aqui que pertences, e hajam trilhos e estradas para desvendar que hás de pertencer sempre, só não te esqueças disso!

um abraço (:

Ana" disse...

Tu moras em Londres? :) *

Ana" disse...

Lol tenho andado com essa impressão desde que leio os teus textos :b
Apesar de nunca comentar :$

Mas já lá moraste? Seja como for, és uma sortuda por ir para lá em Setembro! Eu amava fazer o mesmo *.*

'stracciatella disse...

Bem, gostei imenso!

Ana" disse...

Nao imaginas a inveja [saudável :b] que tenho de ti :D

Acho q recusei o teu último comentário sem querer :$

Beijinho *

Beatriz Cró disse...

O dias D são dias bons?

Teresa disse...

e a Teresa deseja-te boa sorte nesses voos por vir :)

F. disse...

Raio de Sol, o teu tempo aqui não acabou :)
E quando partires leva contigo tudo que enche o teu coraçaozinho, tudo que te faz sentir bem e em paz. Deixa o resto. Tudo que faça o teu lindo coração apertar ou ficar mais pequenino. Isso não precisa de ir.

Por cá, ficamos nós. Os que te deram ordens e nãos, os meninos e meninas que, por momentos, se transformaram em actores e actrizes, a mãe e a irmã, as duas irmãs choronas, os meninos do campo de férias, os estranhos do aeroporto... Todos nós fomos marcados pela tua presença, pelo teu ser amazing!

Menina gosto muito de ti e quero mesmo que te sintas bem, seja aqui, seja nas terras para onde voarás.

Estamos todos a torcer por ti*

messy disse...

Tão perfeito!

 

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