domingo, 13 de setembro de 2009

The Trapeze Swinger

Estavas deitado no meu colo e eu brincava com os teus cabelos loiros mais compridos que os meus. Eu prometi-te, em brincadeira, arranjar um substituto para o tabaco e só tinha mimos para te dar. Portanto brincava com os teus cabelos secos da maresia enquanto lia o meu "romancezinho de miúda" e lia-te de quando em quando uma passagem para te fazer rir de tanto mel. Desisti do livro quando dei por ti adormecido e dediquei-me a ter-te ali naquele momento. Uma semana e já te sentia como amigo de berço e sabia que dali não passava - nunca acreditei em amores de Verão se é que de paixão aquilo se tratava e sabia-te um espírito livre demais para te prenderes a qualquer corpo. Portanto limitei-me a sentir o teu corpo queimado do sol de encontro ao meu quase-dourado, sem te querer prender, sem me querer prender, sem expectativas, "nem desassossegos grandes".


Adormeceu o dia e acordaram os nossos corpos. Era a altura da despedida e eu não sabia como ia ficar sem ti porque nunca te tive, eras demasiado instável, a balançar no trapézio que fazias de vida. Falavas-me de todas as aventuras por que passaste, viagens sem rumo, vidas sem nome, aventuras em me levavas a passear pela tua paz de alma. Era a altura da despedida e eu procurava na tua expressão qualquer coisa que me dissesse que foste feliz na minha paz como eu fui na tua. Viste o meu olhar como secreto consentimento e puxaste-me para ti, sem reservas. Beijaste-me para me mostrares que no teu beijo podia pertencer ao teu mundo. Senti-me a voltar a vida, fantasmas arrumados, ali estava a paixão que me mostravam os teus olhos sempre que me sugavam o azul. A paixão, que nos engoliu para um estado onde não havia restrições de nenhuma ordem, tomou os corpos por território permitido e sintonizou-se com as respirações ofegantes. Ninguém precisava de saber e assim não precisavam de haver perguntas. Eu sabia de antemão que não podia ser tua mais que uma noite. Tu sabias que não havia lugar na minha vida para ti, por mais que uma noite. Era só uma noite, ninguém precisa de saber...

"Quando eu contar até três, viramos costas e voltamos a ver-nos quando o destino decidir."

Um

Dois

Três.

12 rascunhos alheios:

*Ariel* disse...

Adorei Tani, este texto parece música, luzes e cores. Quase que "vi" um blackout quando li a ultima palavra. Tem ritmo, sem duvida!

Um beijinho:)*

Luis disse...

Está espectacular.
Optimo de ler, cativante, transmites muitooooo bem as sensações :P
Adorei, o meu preferido*

m.sunshine disse...

Beijaste-me para me mostrares que no teu beijo podia pertencer ao teu mundo. é sempre assim?
já agora, o que é que o destino quis?

óptimo texto!

Débra disse...

Tania está perfeito :O
adorei minha querida, asério.

messy disse...

consegui ver todos os momentos, excelente! (:

Mara disse...

Oh meu Deus :O
Nem tenho palavras. Parece de um filme e está tão amoroso.
Ás vezes esses amores são os melhores. Amores desprendidos e despreocupados, a mando do destino. E quem sabe se ele não vos volta a juntar...

F. disse...

Oh meu deus, está absolutamente fantástico!!

Helena disse...

Está espectacular ;D
Desculpa a invasão.

Camille disse...

Escreves com uma paixão que envolve. Adorei.

diogo disse...

está espectacular :]

x Inês ( ? ) disse...

Escreves tão bem Tani , que bonito amor de verão .

Rita da Maçaroca disse...

Muito bom, gostei muito deste teu texto... Tenho um que fala de uma situaçao semelhante no meu cantinho :) Mas o teu está de longe bem melhor... Parabéns! :D

Beijinho, vou ficar de olho :)

 

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