domingo, 31 de janeiro de 2010

One way love.

Existe um rapaz na minha vida que não podia ser mais diferente do que eu se quisesse. Foi a minha paixão de infância mas acho que ate nessa altura a única coisa que tínhamos em comum era a data de nascimento.
Esse rapaz não sabe muito sobre mim mas eu sei tudo sobre ele. Conheço-lhe cada pormenor da alma que ele julga não ter e analiso-lhe os silêncios que ele me da como resposta as perguntas que lhe faço.
Este rapaz não me ama, não me conhece...mas precisa de mim. Porque se não me tiver, quem e lhe vai ler o silencio que lhe passa na alma? Quem lhe vai dizer para se levantar e viver?
Não, este rapaz não me ama nem me conheçe. Mas eu conheço-o e amo-o num amor muito único que não se alimenta de mais do que de dezoito anos de cumplicidade muda.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

I don't know.

Pete: Eu esperei por ti.

Lisa: Eu sei.

Pete: Lisa, eu não espero...e eu esperei por ti.

Lisa: Eu sei.

Pete: Eu sei? E so isso que tens para me dizer? Eu não espero por quem não me da seguranças! E esperei por ti porque...porque pensei...

Lisa: Não estava a espera que esperasses.

Pete: E portanto e aceitável que voltes e me digas que acabou?... Porque e que não me estas a contar a verdade?

Lisa: Por favor não... Isto e a verdade, acabou, que queres que te diga mais.

Pete: Quero saber o que e que mudou. Em ti. Porque em mim não mudou nada!

Lisa: Foi só um mês.

Pete: So um mês? Tu disseste... Tu disseste que não interessava o tempo, disseste que nunca te tinhas sentido assim...

Lisa: Eu estava errada. As pessoas dizem coisas estúpidas para fazerem sentido do desconhecido. Nunca foste tu. Eu só achava que sim.

Pete: Era eu. Tu disseste que era eu. Que ele nunca te tinha feito sentir assim, que eras feliz comigo.

Lisa: E ele. Não percebes? Foi sempre ele. Eu voltei e não o tinha a ele. E estava a espera de ter. Quando estive contigo, tinha-o do outro lado. E então achei que não precisava, que já não amava. Porque calculei mal. E quis o conforto e a aventura. Foi isso que tu foste, a aventura e como qualquer aventura, teve o seu fim.

Pete: Tu escolhes-lo a ele? Tu, que sempre fugiste de amarras, que sempre preferiste os amantes anónimos, vais escolher o único que só te trás conforto? Não és tu. Eu sou o que te vai fazer falta Lisa. Porque quando estiveres outra vez enclausurada e a mim que vais procurar. E da aventura que tu vives. Não te tentes enganar, tu não encaixas na fotografia do casal feliz...Eu conheço-te, o bom e o mau.

Lisa: E quando o desejo se esgotar, quem vai estar la? Tu não percebes. Tu, eu sabia que ias seguir em frente, nunca esperei que te prendesses a mim, nunca tive grandes expectativas. Agora ele...Eu esperava que ele estivesse sempre cá e não esta. E agora sou eu que tenho que rastejar por ele. E e ele que eu quero.

Pete: E eu?

Lisa: Tu já és demasiado acessível.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Já não sei o que vai sair daqui.

Nunca tive muito cuidado comigo porque nunca me apercebi dos perigos. Mas as cicatrizes no joelhos aconselham-me a não participar em mais corridas de bicicleta descalça, a marca na barriga lembra-me de não passar roupa a ferro só em sutia e o osso fora do sitio no nariz lembra-me a olhar para onde corro...

No inicio, quando eras só mais um estranho num bar a falar sobre o tipo de banalidades que dois estranhos conversam, pensei - não e hippyzola, não toca guitarra, não e messed up, não e artista e não e egocêntrico. Mais um estranho, num bar, a falar de banalidades. Já sei o que vai sair daqui. Probabilidade de teres qualquer efeito em mim: baixa, muito baixa. Zona confortável. E então, do nada, trocas-me as voltas. Cortas com as tretas do costume e obrigas-me a falar de mim. E fazes perguntas que ninguém me perguntou antes e ouves com atenção. E eu acho surreal que, no meio de bêbados que berram "shirt off, shirt off", musica aos berros e gente a dancar em cima de mesas, tu me estejas a estudar antes de eu o fazer. Algumas horas depois pedes-me o numero e sorris. Já sei o que vai sair daqui.

Convidas-me para uma dança que eu nunca aprendi, onde não há passos certos, onde não sei para onde ir, se te seguir ou se te abandonar enquanto e tempo. E sorris-me com cara de criança e eu penso que não tens nada para me dar, que és um menino a tentar jogar aos adultos. Trocas-me as voltas quando me afastas. Troca-o-passo e já me dizes as palavras certas.

Mais uma noite no bar. Jogamos o mesmo jogo a noite toda. Decididamente sou mais uma brincadeira para te subir o ego. Decididamente já sei o que vai sair daqui. Nada. Sais sem te despedires e vou para casa a pensar que ter expectativas muito altas e o meu pior defeito. Chego a casa e estas a minha porta. Vieste para te despedires. O dramatismo que já faz parte de mim não aguenta mais e berro que não te compreendo. What do you want from me?

Sorris, agarras-me pela cintura e beijas-me. Can it be this? perguntas. Bem jogado.



Na manha seguinte vestes-te, sorris e bates a porta. Tenho o teu cheiro adocicado entranhado Verificação ortográficano corpo e penso que já não sei o que vai sair daqui. Já e tarde demais para pensar no perigo. So me resta fechar os olhos e atirar-me.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Closer tho God is the one who's in love.








What's Love? This.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Everything I know.

Parei a frente da porta, e senti o peso da mala na mão esquerda. O peso de uma vida, parece-me. Pouso a mala no chão e olho a casa. Pintura branca descascada por toda a parede, o caminho de terra batida, o cheiro a palha e suor, o barulho do tractor ao fundo e um outro mugido de vez em quando. Olho para dentro e vejo-o, sentado e olhar fixo na janela. Tem a cara toda talhada pelo tempo e quando era miúda nunca percebi como tem tantas rugas se nunca sorriu muito. Engraçada a imagem que tinha dele na altura. Engraçado como nunca o tinha conhecido até agora. Respirei fundo e entrei. Os olhos dele levantam-se para mim, calmos, sem surpresa nenhuma. Depois repara na mala:
-Olá Nina. Já vais pó laró outra vez?
-É Bu.
-Pra donde vais?
-Não sei muito bem ainda.
-Atão?
O meu avô e eu nunca nos demos muito bem. Ou por outra, eu e o meu avô nunca nos conhecemos muito bem e então eu achava que ele não gostava de mim. Um dia, num jantar qualquer de família, ele perguntou-me como andava a minha vida, queria saber o que é que eu estudava mesmo. Daí veio um paleio desenfreado anormal para alguém de quase 80 anos. No meio dessa conversa ele disse-me "Sabes Nina, quando tinha uns 14 anos eu andava com os outros cachopos e eles é que tinham as moças todas e eu ficava a ver. E depois quando tinha lá para 18 anos, uma noite fui ao bailarico e tava lá a Leninha. Era a moça mais bonita da aldeia, sabes? E ela aceitou vir dar uma volta na praia comigo. E começamos assim no namoro. Um dia eu fui visita-la e ela disse-me que tinha uma consulta no médico, para me ir embora. Umas horas depois encontrei-a no bailarico com outro amigo meu. Foi a única moça que buliu com o meu coração e desde aí que nunca mais chorei por mulher nenhuma." A minha avó não se chama Leninha e ele disse que a minha avó surgiu porque tinha que ser, que o pai já o olhava de lado por ele não ter assentado e "construído vida que se visse". Olhou-me bem dentro dos olhos, olhos gastos com olhos avidos por vida, e disse-me que o mais se arrependia foi ter-se preso á terra, assentado e quando deu por ele, já não tinha espaço para ver o mundo, nem para bailaricos, nem para caminhadas a beira-mar. Tinha uma mulher, sete filhos, três dúzias de galinhas e uma dezena de vacas como vida.
Nesse mesmo jantar familiar toda a família se reuniu a volta da mais recente grávida (é o que acontece em famílias grandes, há sempre alguém à espera de bebé) e a meio de gargalhadas e sorrisos ternurentos alguém disse "Agora a próxima é a Nina. Não é? Como vai o namorado?" e "E isso é pa casamento? Olha que a família dele é grande amiga da nossa. Tão simpático aquele rapaz, tão bem educado" e coisas que tais que me prenderam o peito.
-Acho que vou ver o mundo Bú.
-Quando voltas?
-Não sei.
-Os teus pais sabem?
-Não. Eu não quero isto para mim Bú.
-Não... E o rapaz, como é que ele se chama?
-Ele não é a minha Leninha. E eu gostava de a encontrar, sabes? Nem que seja para ter alguma coisa pa contar. Tenho que ter uma historia para contar aos meus netos que lhes mostre que existe uma Leninha para todos.
-Só tenho pena de não estar lá para te ver feliz quando o encontrares. Boa sorte.
-Obrigada Bú. Vou precisar.
 

Letras e Tons | Creative Commons Attribution- Noncommercial License | Dandy Dandilion Designed by Simply Fabulous Blogger Templates