domingo, 17 de janeiro de 2010

Já não sei o que vai sair daqui.

Nunca tive muito cuidado comigo porque nunca me apercebi dos perigos. Mas as cicatrizes no joelhos aconselham-me a não participar em mais corridas de bicicleta descalça, a marca na barriga lembra-me de não passar roupa a ferro só em sutia e o osso fora do sitio no nariz lembra-me a olhar para onde corro...

No inicio, quando eras só mais um estranho num bar a falar sobre o tipo de banalidades que dois estranhos conversam, pensei - não e hippyzola, não toca guitarra, não e messed up, não e artista e não e egocêntrico. Mais um estranho, num bar, a falar de banalidades. Já sei o que vai sair daqui. Probabilidade de teres qualquer efeito em mim: baixa, muito baixa. Zona confortável. E então, do nada, trocas-me as voltas. Cortas com as tretas do costume e obrigas-me a falar de mim. E fazes perguntas que ninguém me perguntou antes e ouves com atenção. E eu acho surreal que, no meio de bêbados que berram "shirt off, shirt off", musica aos berros e gente a dancar em cima de mesas, tu me estejas a estudar antes de eu o fazer. Algumas horas depois pedes-me o numero e sorris. Já sei o que vai sair daqui.

Convidas-me para uma dança que eu nunca aprendi, onde não há passos certos, onde não sei para onde ir, se te seguir ou se te abandonar enquanto e tempo. E sorris-me com cara de criança e eu penso que não tens nada para me dar, que és um menino a tentar jogar aos adultos. Trocas-me as voltas quando me afastas. Troca-o-passo e já me dizes as palavras certas.

Mais uma noite no bar. Jogamos o mesmo jogo a noite toda. Decididamente sou mais uma brincadeira para te subir o ego. Decididamente já sei o que vai sair daqui. Nada. Sais sem te despedires e vou para casa a pensar que ter expectativas muito altas e o meu pior defeito. Chego a casa e estas a minha porta. Vieste para te despedires. O dramatismo que já faz parte de mim não aguenta mais e berro que não te compreendo. What do you want from me?

Sorris, agarras-me pela cintura e beijas-me. Can it be this? perguntas. Bem jogado.



Na manha seguinte vestes-te, sorris e bates a porta. Tenho o teu cheiro adocicado entranhado Verificação ortográficano corpo e penso que já não sei o que vai sair daqui. Já e tarde demais para pensar no perigo. So me resta fechar os olhos e atirar-me.

8 rascunhos alheios:

Joana M. disse...

Tu passas a ferro só de sutiã? MAS EU NÃO TE ENSINEI NADA?!


(sim, é o meu único espanto neste incrivel texto, T. :p)

Nuno G. disse...

perfeito!!! adorei (ja nao vinha aqui ha muito tempo...)

(www.minha-gaveta.blogspot.com)

Mara disse...

Achei este incrível...

tua Kinder disse...

Hoje estou naqueles dias em que a saudade não pergunta antecipadamente se pode entrar cheia de pujança, e fá-lo assim sem mais nem menos, e traz com ela as minhas inesgotáveis lágrimas que vocês tão bem conhecem.
Decidi vir aqui, porque tinha saudades tuas e porque já não vinha à umas semanas. Estes dois últimos posts deixaram-me completamente K.O. e tenho que te dizer que és mesmo um dos meus orgulhos.
Quando escreveres o teu livro, posso ser eu a desenhar a capa? pffff .)
Well, era só para dizer que tenho ainda mais saudades tuas do que as lágrimas que tenho, por isso tenta imaginar. Hope you're fine! PS. I LOVE YOU!

Poetic GIRL disse...

Lindo, adorei mesmo! bjs

Rita disse...

está perfeito !
e como invejei cada pormenor nas tuas letras e entrelinhas delas.

beijinho *

disse...

incrivel é mesmo a palavra certa (:

Vanessa disse...

Que Blog perfeito. Amei. Passa no meu? *-*

 

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