terça-feira, 1 de junho de 2010

O despertar da insanidade.

Finalmente a minha pele adopta a tonalidade que me relembra que sou filha da terra e do mar. As amarras que me deixavam já marcas em todos os músculos soltam-se e deixam-me sentir o vento a acariciar-me os poros e a dar-me as boas vindas: bem-vinda a dimensão a que pertences. Bem-vinda ao mundo onde tudo faz sentido outra vez, onde a voz soa a verdade, onde o corpo se prende a terra e caminha com a segurança. A simplicidade que outrora me enclausurava e assustava, agora mostra-me a complexidade da sua beleza. E nunca antes tinha notado como é fácil extrair desta sitio a essência, sem se pedir muito em troca. Porque está em todo o lado: É a beleza pura do ser humano, uma peça constante em que o encenador desenhou o íntimo da existência humana.
As palavras derretem-se na minha boca, saboreio cada silaba conhecida mas um gosto diferente desta vez. O mundo está à minha disposição, sinto o poder do futuro nas minhas mãos e consigo ver as cores da fotografia que projecto a ganharem corpo. As ânsias, os medos e os planos conjugam-se e envolvem-me numa teia que me prende ao caminho que tenho de construir agora.
E enquanto películas de amores passados, revividos no agora, e cheiros de uma felicidade que volta ao fim de tanto tempo me acordam do estado de dormência sem vida que me foi até agora impingido, eu volto, visto o meu vestido branco, ato a metade de mim que me faltava a tornozelo e danço na maresia acompanhada pelo amor elevado ao extremo.
 

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